sugestões de uso deste blog

bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.
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& à cAmiNHo do :(){ cEmiTériO:|:de:|:elePUNKes };: foi então que apareceu uma rApOzA AbissAl

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01.
animais abissais passaram a ser pessoas; a bioluminescência dos seres mudaram. (V=λf)

02.
abismos herdados pelo amor, pela criatividade & pelo tornar-se experimento de si, depois que a humanidade caiu em niilismo... ora vazia, ora esvaziadora... Z0 = E/H = μ0 c0

03.
abismos vulcânicos transgressores. é preciso muita lava para transgredir o esvaziamento! & quanta vergonha para aquela pessoa niilista... Z0 = (119,9169832)π Ω ≈ 376,73031346177 ... Ω

04.
esta lava especial trouxe à superfície, belíssimos animais abissais. tua luz é da negritude da ordem da matéria escura que preenche o cosmos. r0 = 1.9 x 10-29Wh0gcm-3 que olhos incríveis! só poder ter uma visão singular sobre tudo isso.

05.
amas de modo plural; como podes ter apenas um amor, se teu coração é cheio de tentáculos afetuosos?

06.
ela se transformou, seu povo segue em perambulações ao acaso, é tudo original, o maravilhoso impera!

07.
sem dádiva, tudo está perdido; sem abundancia tudo é ilusório;

08.
quem nela se inspira, eis a tua herança; quem ela se inspirou, eis o teu mais precioso tesouro.

09
crie, então, como quiseres: sua obra nos toca & nos torna artistas em plenitude imaginativa & amante. impossível ser imune & não amá-la desde seus próprios abismos.

10.
é inútil resistir. é preciso se entregar. sem culpa, nem vergonha. é preciso libertar seu corpo das garras da alma. S~1088

11.
quem pretende ser impermeável ou refratário à tua bioluminescência faz de tua vida um todo já planejado; um todo determinado & previsível. v = H0.d

12.
não!

13.
faça de tua vida uma existência experimental!


INTERMEZZO

– anotações neuroafetivas rehumanas –
– data trans-estelar: -300959.81735159806 –

inscrições rupestre-futuristas:

de frente: “esta obra pode ser interativa” – toque o sino e jogue uma ideia ao espaço –
“faça de sua vida uma existência experimental”
à direita: “o erro é o alvo, a perfeição é uma des-honra.”
à esquerda: “firme, disposto, eis-me aqui, falou o arbítrio – rApozA”


objetos anarqueológicos:

– caixote-cápsula-multi-dimensional média feita de matéria escura;
– pequena caixa, também de matéria escura, de bruxaria biohacking. contém:
> artemísia (erva da vida, erva das bruxas ou a deusa das plantas);
> alecrim (escudo contra baixa energia do intelecto & da sensibilidade);
> dente-de-leão (planta solar de mirada ao futuro);
> hibisco (flor ligada à vênus que inspira abundância);
> marcela-do-campo (erva de oxum & nanã);
> anis estrelado (especiaria para fortalecer amizades verdadeiras);
> capim-santo (sangue vegetal para acalmar);
> camomila (a médica das plantas que cura as plantas vizinhas das suas doenças);
> olho-de-boi (no meio da testa simboliza visão interior & poder – emissor & receptor);
> barbatimão (nativa do cerrado, yba timó, “arvore que aperta”);
> canela (filha do fogo que propicia o amor erótico);
> um dente mesmo de jacaré (para fins de sentimento de fortalecimento);
> um coletor menstrual com sangue (a própria vida da alma que a batiza tal qual o batismo de fogo).
– glamour feitiçaria: espelho pelo qual se vê um sonho acordado de sua demiurga.
– potinho com alho: cápsula de proteção a tal protetor.
– coração-invólucro de matéria escura forrado com calêndula (flor de todos os meses para afastar a violência) & uma chave (para abrir as portas do amor & da plenitude) sobre ela.
– aliança & cápsula, ambas também forjadas em matéria escura. há a inscrição rupestre-futurista “não”. um poderoso jogo de encruzilhadas contra a instituição falida do casamento & pró amores polifônicos e diversos.
– círculo-invólucro de matéria escura forrado com guaco (erva fria & calmante que estimula o amadurecimento individual) & cartão de memória (cápsula do tempo para fins criativos) sobre ele.
– preservativo & um pisca-alerta: amai-vos & não vos multipliqueis!


OSSIA


transcrição do holovisor desmórfico:

cena 01:
ruínas de ferro contorcido, madeira queimada, vidro estilhaçado & equipamentos de áudio, vídeo & holografia em perfeitas condições de uso metareciclador. mas ruínas da mais alta expressão de organização: a anárquica. pUnk[A]l_sUlUk adentra. olhos atentos. vivos. há um delicioso aroma de ervas, flores com notas de sangue ancestral. esses cheiros trazem recordações; fazem o intelecto, a sensibilidade e os afetos se expandirem. seus ouvidos se afinam aos ruídos arco-íris do ambiente. psicodelia em desvio aos tons negros. sua pele se arrepia. é como se estivesse nu em uma estrelada noite de verão no cerrado. sua kundalini é ativada. sobe da base de sua coluna e lhe coloca em chamas criativas. aqui o presente holovisor desmósfico oscila. a energia liberada é muito poderosa. gliths nanorobóticos acontecem. pixels vivos que se movimentam como o burburinho dos estorninhos. a forma de uma belíssima raposa se condensa. é uma kitsune de matéria escura. sua bioluminescência é abigarrada, manchada, mosqueada, ch’ixi.

cena 02:
gliths nanorobóticos de um antimetaverso de fundo de anarquismo fantástico indicam que tal belo holoanimal abissal chama-se rApozA sUjA. uma demiurga do tipo ewá orixá, que além de ambas protegerem a sensualidade & a beleza, também enganaram a morte por diversas vezes. será que em seu DNA transmórficos contem rastros da turritopsis dohrnii? pois seus movimentos são ágeis, fortes e delicados. impossível para alguém de tantos séculos de existência experimental. seu intelecto, sensibilidade & afetividade estão a anos-luz de nós pós-humanos. vê-se em seus olhos que há muita vitalidade. sua vida em experimento se expande como o pando, a floresta de uma árvore só. ela olha com ternura para pUnk[A]l_sUlUk. & lhe sussurra, ao mesmo tempo em diversas línguas, uma única palavra de inspiração. ele está completamente encantado. pUnk[A]l_sUlUk entende a mensagem. seus ouvidos vibram na mesma frequência de toda ruidalização libertária. um pequeno tapete de grama sintética, replicante, surge sob suas botas gastas por tantos caminhos desbravados e inventados por elas. logo se ajoelha diante do caixote-cápsula-multi-dimensional rapoziana-sujística.
 
cena 03:
um umbral abraça o espaço. ofusca todo o presente holovisor desmósfico. no entanto, como um trovão longínquo, é possível o sibilar de um sino. em seguida, ouve-se as seguintes palavras da boca de pUnk[A]l_sUlUk:

certa vez, assim falou nietzsche: "outros povos nos deram santos, os gregos nos deram sábios". daí acrescento: "nós, párias apátridas, parimos hereges". sem gritarias assistimos todos cumprirem seu papel histórico: o senso comum, os mitos, a religião, a arte, a filosofia e a ciência. muletas do pensar sedentário, inventores de igrejas, galerias, cátedras, laboratórios e estados, apenas para garantirem sua duração no tempo. apenas separam a liberdade da libertinagem.

nada mais se vê. nada mais se escuta. nada mais perfuma. no entanto, sabe-se que dali nasceu um novo cosmos. algo de proporções monstruosas. pois nossos radiotelescópios detectam a poderosa radiação de fundo desta caixote-cápsula-multi-dimensional média feita de matéria escura chamada “faça de tua vida uma existência experimental”... ecce monstra!

fim da transmissão... fim da transmissão... fim da transmissão... fim da transmissão...



L[É]O:|:pim[E]nt[E]L,
[A]m[A]nt[E]:|:d[A]:|:h[E]r[E]si[A]
M[E]t[A]²rtist[A] :|:tr[A]nsmídi[A] :|:da:|:inc[E]rt[E]z[A]
vErÃO, cErr[A]do, 2022







INTRATUR (2021) & s3ns[E]rr[A]nt3s (2021)

dois nanometragens realizados em 2021 como excertos ao meu curta-metragem "made in bsb" (2014):
INTRATUR (2021) & s3ns[E]rr[A]nt3s (2021)

m[(0o)]m
 chamada para o lançamento:
 
 
m[(0o)]m

INTRATUR (2021)
 
arquivo nº. 301 - 663 - - - doc.nº. 3,14 
caso originado: CERRADO - - - data: 03/05/21 d.b.s. 
título: propaganda institucional da INTRATUR 
sinopse do fato: a capital do brasil, brasília realiza sua destinação: ser composta por uma população de pessoas 100% "made in bsb". 
detalhes: arquivo interceptado & descriptografado para fins de conhecimento público e aberto. 
autenticado por: bl[A]sfÊm[E]0_m1nt4g - - - b[A]l[E]i[A]_pr[E]t[A]_h4ck3r.club3

m[(0o)]m


s3ns[E]rr[A]nt3s (2021)

arquivo nº. 179 - 521 - - - form.nº. 3,14
caso originado: CERRADO - - - data: 14-04-21 d.b.s.
identificação: m1ntÉr1[A].cYb3r

sinopse do fato: uma s3ns[E]rr[A]nt3 demonstra como seu clã se desloca no espaço por meio do que chamam de "desnudamento transtópico". tal se dá pela exposição da pele ao ambiente & senti-lo pelos seus 13 sentidos. para assim conectar-se eroticamente com o s=cosmos & projetar-se por sobre o tecido do espaço-tempo. - - - sua vestimenta & adereços funcionam como amplificadores, são hardwares livres. por isso deixam para trás suas peças possibilitanto que quem as encontre aprendam como funcionam.

detalhes: fragmentos da filmagem da troca de saberes entre nós e xs s3ns[E]rr[A]nt3. arquivos recuperados da "grande fogueira pela paz" promovida pelo "ministério da anti-ciência degenerada" (2018 - 2022 d.c.).

autenticado por: n0turn0_br34ckpx - - - b[A]l[E]i[A]_pr[E]t[A]_h4ck3r.club3 

 


vídeo-fragmento do I ENCONTRO DE CIBERCULTURA DE BRASÍLIA (2000)


no dia 15 de maio às 19hs... aconteceu o lançamento online do vídeo-fragmento do I ENCONTRO DE CIBERCULTURA DE BRASÍLIA. 

este é um vídeo resgatado do primeiro ano deste século XXI, precisamente do dia 05 de novembro de 2000, de quando éramos jovens e idealista quanto à CIBERCULTURA nascente por aqui em PINDORAMA. queríamos tomar a tecnologia em nossas mãos e fazer dela aquilo que queríamos que ela fosse: instrumento de autonomia, conexão mutualista e criação de outros mundos mais libertários para se viver de modo realizador. para isso criamos um coletivo nomeado de "FORÇA TAREFA CYBIONTE". coletivo este que misturava ficção científica, arte eletrônica e digital, tecnologia da informação, ciência da computação, filosofia e anarquismo por um mundo melhor. e como estávamos no início de tudo isso, e não havia quase ninguém atento/a a estas questões, mas nós já fazíamos prospecções de que surgiriam megacorporações da internet prontas para controlar nossas vidas, com se provou nos dias de hoje, decidimos fazer um primeiro grande encontro público para tentar encontrar e juntar pessoas que quisessem somar com a gente nesta empreitada. tal encontro foi o I ENCONTRO DE CIBERCULTURA DE BRASÍLIA, realizado no dia mencionado acima, no Espaço Cultural da 508 Sul.
 
 
 
nele realizamos debates sobre "NOVAS ESTRUTURAS DA EDUCAÇÃO E A CRIAÇÃO DE CIDADES VIRTUAIS", "DESCONSTRUÇÃO DO MITO SER HUMANO x MÁQUINA" e "MOVIMENTOS SOCIAIS DA CIBERCULTURA". também rolaram performances, banda eletrônica ao vivo, exibição de filmes, livros, HQs, zines, jogos de RPG e outros materiais sobre CYBERPUNK, POST-HUMAN BODY, TECNOANARQUISMO, FRACTAIS e CIBERESTÉTICAS. 
 
este vídeo resgatado é só um fragmento do que foi aquele dia. tanto que é interrompido, não propositadamente, no meio da fala de uma grande amiga nossa. fragmento este de um dos debates ocorridos. e por estar assim deste modo, nomeei como ARQUIVO ANCESTRAL CYBIÔNTICO e o inseri dentro de uma documentação ANARQUEOLÓGICA que está em processo de pesquisa, resgate e restauração, pelo coletivo BALEIA PRETA HACKER CLUBE. 
 
m([o0]) m
 
ficha técnica:
filmagem: IANNI LUNA (2000)
edição: LÉO PIMENTEL (2021)

à cAmiNHo do :(){ cEmiTériO:|:de:|:elePUNKes };:

01. 
abra mão da espiritualidade, nós, seres:|:sem:|:espírito – mAs, pUNk, és cAPaz de aBRir a mÃo?

02.
de artificialidade:|:insurgente, desnatural a natureza, desmistificados os mitos, ele poga elétrico como as poeiras de estrelas que nos compõem, animal:|:vegetal:|:mineral:|:plasma. 

03.
vindo de cripto|gigs punk[A]hack3rz da vizinhança, & como um kraken:|:enfeitiçado por mandingas:|:negríndias que passa, intempestivo, inutilizando navios negreiros.

04.
pressente-se que ele se aproxima pelos ruídos:|:em:|:ruínas de seus spikes neutralizadores:|:de armas:|:de:|:eletrochoque espalhados em sua jaqueta, como uma rápida embarcação sEA shEPpeRd prestes a interceptar um navio baleeiro.

05.
não é como aqueles pirata$ do cinema cujas aventura$ provocam catar$e$ confortávei$; tu não vês que ele se parece com pir[A]tas:|:som[A]lis? [A]queles que aterroriz[A]m os navios europeu$ & a$iáticos de pe$ca ilegal & que despejam na áfrica, lixo tóxico & nuclear? 

06.
se assim não fosse, a mercantilização do ser & do estar logo o derrubaria, quando seu levante anarquista:|:de:|:todxs:|:xs:|:santxs se colocasse frente ao coroneli$mo da qualidade de vida.

07.
mas, num instante, se desarma & se prepara para a fest[A], quando se encontra pelo c[A]minho com um compa, festejam, pogam & saltam em mosh.

08.
o compa encontrado, ciBerPajé, ser vivo em máquina & em magia, que quando emerge como um ifrit:|:ciborgue, a tecnomagia do agronegócio:|:bandeirante se sente ameaçado.

09.
fantástico compa de artifícios do c[A]os replicante & do ac[A]so do anarquismo quântico, num final de semana TeCNoXaMâNiCo, arrastados pelo horizonte de eventos de sobreviventes, indigenismos & agentes:|:cata$trofi$ta$.

10.
sábio pós-hum[A]no, transmut[A]do & autointitul[A]nte, em 10 chaves, cujos aforismos evitam a idolatria que parasita & seca a seiva da liberdade material para matérias:|:livres. 

11.
qual caminho dentre os caminhos para o :(){ cemitério:|:de:|:elePUNKes };:, repletos de rizomas vivos de fibra ótica, torrents de zines, com que a ancestro:|:rebeldia punk são generosas,

12.
cuja s[A]bedoria libertári[A] faz muito ao sobreviver intensamente, iniciativa open:|:source, política:|:livre, tribalismo:|:insurgente,

13.
será um caminho mais HardCorE ou mais BreakCorE quando os ruídos:|:em:|:ruínas se silenciarem?

14.
em cigania a [A]n[A]rqui[A] afro:|:indígena:|:mente me guiou até aqui; ela também guiou outrxs; não privilegiou ninguém.

15.
pela manhã, aquele al-suluk, aquele punk, passou por uma taverna em um hACkeRSpACe, na companhia da mais engajada, radical & anarc[A]queer cr[A]cker da região pós:|:cis-têmica,

16.
& se sentou entre caçadoras:|:dos:|:últimos:|:patriarcais, que sabem como ele, que cortar picas só causam terror aos corpos:|:repre$ivos:|:do:|:patriarcado. 

17.
com bocas umedecias de vinho barato riam e cantavam: “vOCê já maNDou à meRDa a mORal & os bONs coSTumes hOJe?”.

18.
durante este embri[A]gamento, a sobriedade somente surgia para se pedir mais vinho, embora suas CONSciências já estavam ampliadas desde o primeiro gole.

19.
o autômato:|:vitoriano dos vinhos baratos, de fornalha:|:como:|:peito, fraque:|:metálico:|:fundido, deslizava de um lado para o outro, iNDo com garrafas vazias & voLTaNDo com elas cheias.


20.
ouvia-se velhos mashups industriais em miXes wi-fi, quando vibrava a voz gutural de uma belíssima:|:cantora:|:anã cujas cordais vocais foram habilmente modificadas geneticamente. 

21.
quantxs nativxs digitais transferem & compartilham suas LIMBONSciências para nuvens utilizando softwares:|:livres! quantos seres nascidos por impressoras 3D recebendo suas espiritualidades acessando essas nuvens!

22.
de tudo isso faço meu caminho, gozando, rumo ao :(){ cemitério:|:de:|:elePUNKes };: pois vem da experimentação da imensidão do abismo & os panfletos de [A]n[A]rquimo(s) tr[Á]gico(s).

23.
quantas rUAs & bARricADas, com um MoLoToV na mão, máscaras & bandeiras negr[A]s, em cujo v[A]nd[A]lismo & b[A]dern[A], sobre carros de polícia virados de rodas para cima, ecoa a cantiga da genialidade:|:dxs:|:oprimidxs:|:desta:|:terra,

24.
por onde indígenas ousavam rESiSTir & negras & negros tornadxs escravxs ousavam fUGir & se [A]quilomb[A]r,

25.
não transpus com coturno já bem gasto, preparado tanto para a fESTa quanto para a gUERra, para se juntar à c[A]melôs:|:hack3rs de chinelo?

26.
lembras do ciBerPajé, que como um ifrit:|:ciborgue, insurgiu em auto:|:ciber:|:pajelança em destruição ao coroneli$mo:|:e$piritual?

27.
assim falou: “se vOCê deiXa uMa baNDeira pOr oUTra, nADa mUDou. vOCê coNTinUa doGMátiCo em sUa esSÊncia. o doGMa é o vEnEno, se eLe peRDura nENhum avaNÇo rEAl acoNTece”.

28.
& enfim, chegaste, em frente ao :(){ cemitério:|:de:|:elePUNKes };:, ele? não! eu, tornado, pUnk Al-sUlUk.


léo:|:pimentel, [A]m[A]nte:|:d[A]:|:heresi[A];: oUTono:|:2016;:cERradO

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a citação no momento 27, foi tirada de Aforismos do Ciberpajé
o Ciberpajé é Edgar Franco, artista transmídia, 
pós-doutor(UnB), doutor (USP), mestre (Unicamp) e prof. da FAV/UFG.

Um fUtUrO prOIbIdO vIstO nUmA pÉrOlA dE AstAtO

prelúdio: conto experimental cyberpunk, com elementos de cosmovisões indígenas e populares, escrito no inverno do cerrado em 2015.

"1. insurjam, re-existentes de dirty-bits, desde o futuro proibido vivido agora! que rumo aos delírios da sobrevivência nuclear que interrompo meus desvios.


2. a errância intencional transfigurou-se em acaso puro; milhões de estrelas-pixels em nossos céus; bela noite em preto e branco; matilhas de lobos holográficos acompanhadas em suas corridas por cyberamazonas; e eu em livre fluxo tornando-me um homem-puta."

[continue lendo abaixo...]

qUAndO mOnstrUOsOs gEnItAIs gOvErnAvAm A tErrA - O fUtUrO dE Um tEsÃO


e se numa comunidade hipotética freud tivesse nascido como um piaroa, depois tornado xamã, e enquanto tal, tivesse desenvolvido toda a sua teoria da sexualidade e, consequentemente, da libido, desde aí? o que essa realidade aberta nos diria sobre a realidade, supostamente a nossa, descrita pelo freud nascido na alemanha? para responder tais perguntas resolvi mergulhar na sopa metafísica de suor, excrementos, venenos, óvulos e sêmen do povo piaroa. com o auxilio inicial dos textos da antropóloga joanna overing, uma já mergulhada na sopa acima citada, mergulhei. mas claro, não podia depois, nesse meu nixpupima, em forma de mergulho, não ter realizado o puinkimei para com tal renomada antropóloga. pois bem, de bunda de fora mergulhei rumo ao meu experimento: quando monstruosos genitais governavam a terra – o futuro de um tesão.

***
siga lendo o texto aqui mesmo ou neste link aqui:


***

qUAndO mOnstrUOsOs gEnItAIs gOvErnAvAm A tErrA - O fUtUrO dE Um tEsÃO

iconofagia:

dami: palavra/pensamento piaroa que significa ‘exercício do “tornar-se outro”’.
damiain: palavra/pensamento piaroa que significa “brincar de branco”.
katxanawa: ritual de fertilidade, na forma de poesia cantada, do povo piaroa, onde há provocações masculinas dirigidas às mulheres, chamadas xebi itxa (insultar a vagina) e provocações femininas dirigidas aos homens, chamadas hina itxa (insultar o pênis).
kaxinawa: palavra/pensamento piaroa que significa “o pensamento que se encontra incorporado em um corpo pensante”.
kuin: palavra/pensamento piaroa que significa “eu”.
nawa: palavra/pensamento piaroa que significa “outro”.
nixpupima: rito de passagem da puberdade do povo piaroa.
pui’kwa: palavra/pensamento piaroa que significa tanto “ejaculação” quanto aborto.
puinkimei: provocação masculina dirigida às mulheres que consiste em mostrar a bunda no rito de passagem nixpupima.
tekoha: palavra/pensamento guarani que significa “lugar onde realizamos nosso modo de ser”.
teko pyahu: palavra/pensamento guarani que significa “novo modo de ser”.
yudawa: palavra/pensamento piaroa que significa “fazer o corpo ir se acostumando com o ambiente”.

yudawa:

sou um relativista radical que não me deixo levar pelos confortos das certezas últimas, principalmente, não me deixo levar pelos encantos higienizadores do verbo “ser” e pelas belezas climatizadas do verbo “estar”. no entanto, sou completamente maravilhado, ou melhor, abaçaiado[i] pelo verbo “haver” – numa fúria encantada geradora de saborosos mundos perigosos. isso por que, em meu relativismo radical, não escolho liberalmente entre muitas possibilidades, como num hipermercado ou num self-service, pois cada escolha minha tem mortal importância, já que se dá como possibilidade única de vivência irreversível – vivência entrópica. minha escolha é da ordem do “há de realizar” – fazer. todo sentido dessa entropia existencial é a posteriori. e no caso de textos, minha linguagem jamais é serva das dignificações contempladas pela rigidez de sistema ontológico algum. minha escrita, neste texto, é teko pyahu cujo tekoha se realiza na combinação entre o realismo grotesco obsceno, a epistemologia do ridículo e o riso provocador e libertador realizadas pelo povo piaroa[ii], no caso, molestando as ideias freudianas que podemos encontrar pelos textos “o futuro de uma ilusão” e “três ensaios sobre a teoria da sexualidade”.  aqui as palavras, todas, são metáforas e pequenas portas de acesso.


dami:

epistemologia do ridículo: os ridículos tropeços, ao estilo “pastelão”, resultantes da prepotência, da insanidade e da ira dos deuses e dos xamãs (os criadores de mundos) criam um espaço de imaginação social no qual as lideranças, sem poder de coerção,  somente conseguem mobilizar as pessoas em trabalhos coletivos criando um clima festivo e de zombaria.
realismo grotesco obsceno: o aumento hiperbólico dos intestinos, órgãos sexuais, boca e ânus como arte, humor e jogo experimental que brinca com a realidade dos poderes xamânicos – já que o conhecimento mora no corpo e quanto mais grotesco e obsceno, mais é visível a situação do pensamento estar incorporado/impregnado em um corpo pensante;
riso provocador e libertador: desarticulador do poder coercitivo das lideranças por meio do poder do riso. rindo se captura o modo de conhecimento dos seres poderosos, dizendo o que de outro modo seria indizível, para que, com o riso, se possa limitar os poderes do conhecimento, ou seja, zombar de todo poder, antes que ele possa provocar qualquer tipo de medo.  


damiain:

lendo sobre o modo de realização do katxanawa uma inspiração me abriu uma possível realidade: e se numa comunidade hipotética freud tivesse nascido como um piaroa, depois tornado xamã, e enquanto tal, tivesse desenvolvido toda a sua teoria da sexualidade e, consequentemente, da libido, desde aí? o que essa realidade aberta nos diria sobre a realidade, supostamente a nossa, descrita pelo freud nascido na alemanha? para responder tais perguntas resolvi mergulhar na sopa metafísica de suor, excrementos, venenos, óvulos e sêmen do povo piaroa. com o auxilio inicial dos textos da antropóloga joanna overing, uma já mergulhada na sopa acima citada, mergulhei. mas claro, não podia depois, nesse meu nixpupima, em forma de mergulho, não ter realizado o puinkimei para com tal renomada antropóloga. pois bem, de bunda de fora mergulhei rumo ao meu experimento: quando monstruosos genitais governavam a terra – o futuro de um tesão.

só para se ter uma ideia bem geral, e portanto, corrompendo e a destruindo de certa forma, em “três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, o freud alemão amplia o conceito de sexualidade não a restringindo somente ao genital. a sexualidade seria tanto a realidade, quanto a própria formadora, a criadora e a propagadora desta. a libido seria sua força, tanto de propulsão quanto de desgaste. e, enquanto tal, as leis que a regeriam seriam as mesmas que regem nossas práticas em economia. ou seja, agimos para com nossa libido tal como verdadeiros/as economistas: fazemos investimentos aqui e acolá, a poupamos, somos mesquinhos/as, fazemos reserva de mercado, não sabemos o que fazer com sua abundância, para com ela somos corruptos/as, a desviamos, a utilizamos como moeda de troca, etc. o interessante é que o freud alemão está em total acordo com a cosmogonia da parcela da humanidade platônica-judaica-cristã na qual ele faz parte, e, portanto, sua realização cosmogônica tem como princípio primordial, a pureza. neste sentido, a sexualidade criada, formada, propagada e realizada na libido, seria a impureza irreversível de nosso viver. tão irreversível e impura, que é a grande causadora de nossos sofrimentos em não conseguirmos nos realizar plena e puramente. e assim, o freud alemão luta por fornecer as bases de uma nova terapêutica ao sofrimento humano. terapêutica que possibilite a libertação dos fantasmas libidinais que impedem, cada um/a de nós, a autonomia e a liberdade de escolha. o freud alemão, sorrateiramente, é uma espécie de otimista trágico, onde a tragédia da impureza, portanto, da sexualidade, pode ser domada, já que “todo indivíduo é virtualmente inimigo da cultura”, ou ainda “é preciso contar com o fato de que em todos os homens há tendências destrutivas, ou seja, antissociais e anticulturais”[iii].

a aspiração do freud alemão é mobilizar a sociedade rumo ao aperfeiçoamento das formas de cultura até agora desenvolvidas. mas sua proposta de mobilização é da ordem da administração da saúde pública e do “serviço intelectual obrigatório”. e para tal, as ideias do freud alemão deveria ganhar o mundo. queria que sua teoria alcançasse o posto de ciência. e, desse modo, sua psicanálise deveria alcançar todos os rincões do planeta. foi então que, por volta de 1910, o freud alemão resolveu conhecer o alcance da psicanálise aqui na américa latina. passou pelo brasil, pela argentina e seguiu para a venezuela, especificamente para a bacia do orinoco – um fato que é, em nome do pudor e da mitificação ocidental, insistentemente, ocultado de sua biografia, mas que chegou até nós pela cultura oral de algumas etnias indígenas isoladas que se encontram na amazônia até os dias de hoje. mas o que ele não contava era que ocorreria um mau funcionamento no teletransporte desenvolvido por seu amigo albert einstein. tal qual o ocorrido no episódio da série de ficção científica “star trek”, chamado “mirror, mirror”[iv]. e assim, o freud alemão foi trocado pelo seu duplo piaroa. e assim, a compreensão do sujeito erótico foi trocada pelo erótico da compreensão. ou seja, só haveria como pensar a sexualidade, em todas as suas realizações, se existisse antes um gesto primordial fundador de que aquilo que é proibido é na verdade a necessidade da transgressão obscena primordial: assim se o corpo é proibido anteriormente a qualquer sujeito erótico na cultura platônica-judaico-cristã (também estendida à islâmica), é preciso restabelecer a ligação pré-gesto primordial; é preciso reestabelecer a pulsão erótica grotesca.

pois bem, a partir daqui, desde as margens da bacia do orinoco, quem assumiu o desenvolvimento da psicanálise foi o freud piaroa. desde aqui a realidade foi reescrita e assim se tornou:

kuemoilibi, criador e dono original da cultura e da natureza, era um enorme pênis canibal de duas cabeças. suas bocas eram vaginas com dentes muito afiados. uma cabeça, cuja aparência era a de uma anta, comia carne cozida. a outra, cuja aparência era a de uma anaconda, comia carne crua. avô/á do sono e mestre/a da escuridão. antes dele/a tanto o mundo terrestre quanto o mundo celeste, ou seja, todas as forças do universo estavam contidas no mundo subterrâneo do ânus-primordial, casa de tal ser mítico. a cabeça-anta é a mestra das selvas. criadora de toda a topografia da terra – montanhas, pedras, rios, cachoeiras – e do seu céu – sol, lua e estrelas.  também criou os/as piaroa, conterrâneos/as do duplo de freud. a cabeça-anaconda é mestra das águas. criadora das plantas cultivadas, do curare, dos artefatos e das habilidades de suas respectivas utilizações. ou seja, enquanto uma das cabeça de pênis com vagina dentada é responsável pelos elementos naturais, a outra é responsável pelo conhecimento e pelas capacidades culturais. no entanto, as criações da cabeça-pênis-anaconda são “venenosas” e “selvagens”, já as da cabeça-pênis-anta são “neutras” e “domesticadas”. 
a cabeça comedora de carne crua cresceu à base de um alucinógeno poderoso e venenoso. tal lhe deu a habilidade de criar a caça, a pesca, as roças e a cozinha. por sua vez, a cabeça comedora de carne cozida, passou todo o seu tempo mítico roubando os conhecimentos da outra cabeça. mas. ao roubar tais conhecimentos, acabava por se envenenar também. no entanto, nada conseguia criar. e por tal motivo, cometia atos violentos contra os/as piaroa conterrâneos/as do duplo de freud, já que passava a vê-los/as como animais comestíveis. se por um lado o alucinógeno poderoso e venenoso era criador de conhecimentos, por outro, o uso do conhecimento era poderoso, no entanto envenenado, mesmo que roubado por quem suas criações eram “neutras” e “domesticadas”. não tinha jeito, todo uso de conhecimento tornara-se tanto poderoso, quanto envenenado e selvagem. e numa incrível dialética sem síntese, kuemoilibi, esse enorme pênis de duas cabeça e de bocas-vaginas-dentadas, torna-se um/a caçador/a canibal implacável.
e aqui entra nosso freud xamã piaroa. vendo que kuemoilibi capturava jovens em armadilhas para comê-los/as, freud piaroa, mesmo tendo afinidade com tal ser mítico, tenta inverter os valores de suas ações para, com isso, atrair consequências dessa inversão: o canibalismo, conduta típica desse ser mítico com relação à humanidade, deve ser rearticulada em sexualidade, e assim, “comer” deve adquirir o significado de “trepar”.

kuemoilibi gostou da ideia. achou assim a humanidade muito mais saborosa. mas, para essa inversão, nosso xamã propôs um pacto: kuemoilibi deveria abrir mão de sua existência no tempo mítico e passar a existir somente no tempo histórico, no tempo da humanidade. e assim, aconteceu: o pacto foi firmado. no entanto, kuemoilibi era duplamente inteligente e assim não aceitou tal pacto sem inserir uma clausura ambígua: kuemoilibi passaria, não só a existir no tempo histórico, mas também passaria a viver dentro de cada pessoa; ele/a seria a própria sexualidade humana. isto até a chegada do próximo ciclo de tempo mítico. assim foi. assim está. nosso freud xamã piaroa foi celebrado por todos/as.
o tempo agora é o tempo histórico. a fertilidade venenosa dos fluidos corporais deixa de ser assunto só do ser mítico. agora o conhecimento mora no corpo humano e se concretiza por meio dele: é através da corrente sanguínea que a psique circula pelo corpo, provendo cada membro e órgão com inteligência e libido para agir; ao mesmo tempo em que, viver com os outros é estar sujeito/a a absorver os venenos emitidos pelas excreções corporais das outras pessoas com quem se vive. outra psicanálise deve ser pensada desde essa sífilis primordial: por um lado, deve ser pensada a partir das relações corpos-pessoas, e por outro, a partir das relações corpo-pessoa e mundo; corpos grotescos que sofreram o aumento hiperbólico dos intestinos, órgãos sexuais, boca e ânus por terem-se tornados a nova morada de kuemoilibi. a vagina e a língua que sangram, o ânus que defeca, que sangra e que peida, a axila que transpira, a pústula que supura, a boca que vomita, o pênis que ejacula e urina, cada apetite e processo corporal gera as formas de conhecimento, pois são nossas aberturas ao mundo, e tudo o que for fruto do poder criador de kuemoilibi (natural e cultural) deve ser cuidadosamente purgado de seu veneno antes de se tornar benéfico para o viver humano. ou em termos epistemológicos, conhecer é interagir com o monstruoso (portanto poderoso e venenoso) tornando-o ridículo (o modo de como simplesmente estamos no mundo) para a boa realização da sexualidade (fertilidade e perversidade): corpo e conhecimento participam do mesmo eterno inacabamento (funções sensoriais/intelectuais frágeis) e do mesmo princípio de degeneração sem fim (excreções). 


kuin-nawa

nosso freud xamã piaroa é tanto o pai dessa nova psicanálise kuin-nawa, quanto é o realizador de outra forma muito particular e inédita de produzir ciência e conhecimento: a psique humana é o efeito fértil da excreção por orifícios inadequados.  seus estudos sobre essa outra vida inconsciente tornaram-se referência obrigatória para a filosofia, para as artes, para as teorias políticas e para as neurociências. vejamos um exemplo, no campo da teoria política.
o aborto como origem da democracia
(baseado no cântico de freud piaroa, do baixo cuaos, em 1913)

a cabeça-pênis-anta queria obter um pouco de caiçuma fermentada da louca cabeça-pênis-anaconda, o/a criador/a dos frutos e do milho para o preparo dessa bebida, mas não conseguiu. mas a boca-vagina-dentada da cabeça-pênis-anaconda consegue pegar um pouco da caiçuma fermentada para dar à cabeça-pênis-anta. mas o/a criador/a dos frutos e do milho para o preparo dessa bebida descobre que sua boca-vagina-dentada tinha lhe roubado. e assim, no meio da caiçuma fermentada, ele/a colocara um cisto venenoso para atingir a psique da pessoa que a bebesse. a pessoa morreria e viraria um michê eunuco para a cabeça-pênis-anaconda trepar! a cabeça-pênis-anta ficou louca/o só de segurar a cuia com a bebida! alucinada/o, ela/e resolveu fazer sua própria caiçuma fermentada saindo à caça do papagaio – o conhecedor da matéria prima para fermentar . ela/e afia os dardos da zarabatana, e em suas pontas coloca um potente e venenoso alucinógeno. ela/e sai para caçar e vê o papagaio num milharal comendo milho alegremente. o papagaio é atingido pelo dardo envenenado. entorpecido e ferido, o papagaio voa sem destino pelo mundo, apontado todos os outros frutos que podem ser fermentados para fazer a caiçuma. em todo o lugar que ele defeca e vomita, nascem milhos para a caiçuma. depois ele volta para onde comia milho alegremente e cai morto.
ao procurar o papagaio morto, a cabeça-pênis-anta fica completamente louca/o e abaçaiada/o desejando matar a humanidade inteira. então ela/e prepara uma armadilha para cada pessoa. ela/e transforma o papagaio num espermatozoide-monstro subterrâneo, pavoroso, para ser instrumento para matar a humanidade. o plano fracassa. a humanidade consegue escapar à sua fome canibal, mas fica loucamente aterrorizada. a cabeça-pênis-anta então pega a cabeça-pênis-anaconda e a/o transforma no papagaio morto, e assim, com sua zarabatana bate em sua cabeça. quando ela/e segura cuidadosamente, como sinal de respeito, sua boca-vagina-dentada que a ajudara anteriormente, escorre sangue pelo ânus do papagaio-cabeça-pênis-anaconda. quando ela/e se vira de cabeça para baixo para ver o que aconteceu, já que compartilham o mesmo ânus, ela/e mesma/o vomita sangue.
assim falou a cabeça-pênis-anta: “todas as pessoas que viverem depois de mim, sofrerão disso. quando os homens treparem com mulheres, sem estarem de acordo democraticamente que ambos/as estão condenado as futuras gerações à essa minha maldição, vai escorrer sangue de suas bocas, cus, bocas e vaginas.”   
            ao ferir o papagaio com o veneno na ponta de seus dardos, a cabeça-pênis-anta cria o aborto. o que a morte do papagaio criou foi a democracia. pois obriga homens e mulheres a agir de modo consciente sobre a situação de que, gerar a vida é tão cruel quanto tirá-la.


pui’kwa


fertilidade e morte são simétricas. o odor anuncia ambas. entre a merda, o peido, o mijo, o suor, a menstruação, não há hierarquia. cada qual com seu odor. cada qual com seu poder sutil de “impregnação”. cada qual como realização da psique humana. na lógica piaroa, cuja expressão aqui foi exacerbada pelo freud não-alemão, essas excreções se permutam, seja por violência, seja por excesso, ou por inabilidade de dominar os processos corporais. por exemplo, o peido soltado em público está para o pensamento falado ou escrito, ou seja, “impregna” o/a outro/a que não o soltou. ou ainda, homens e mulheres menstruam e fertilizam entre si. a diferença entre esses dois tipos de menstruação é a fertilidade dos pensamentos dirigida de um/a para outro/a: cânticos e bebês. a língua do homem sangra da mesma forma que a vagina da mulher. ambos são, de certa forma, venenosos, mas ao mesmo tempo apontam para a fertilização e para a morte. é no sangramento e nos outros tipos de excreção que se purga o veneno de kuemoilibi numa estranha tragédia cósmica cujas forças se mostram inseguras por se realizarem em seres humanos que vivem, comem e fornicam. 




léo pimentel – amante da heresia






[i] na mitologia tupi, abaçaê é o nome de um espírito maligno que se apossa de um índio deixando-o enfurecido, logo quem está enfurecido é abaçaiado.
[ii] povo indígena da floresta tropical que vive atualmente ao longo da bacia do orinoco – principal rio da venezuela, abrange 1/4 do território da colômbia, desemboca no rio negro que é o maior afluente do rio amazonas.
[iii] frases de freud em “o futuro de uma ilusão”.
[iv] quarto episódio da segunda temporada.

[8] cOntrA O AtIvIstA dO rEAlIsmO cOnfOrmIstA


pulso de hoje: "contra o ativista do realismo conformista". como dizem os chineses, "da cao jing she" ("bater no capim para assustar a cobra"), assim foi feito, resultado: a cobra se assustou, opa... quero dizer.... o gigante acordou! sim! mas... que gigante? o conformista! este que atualiza um velho evangelho: que o real (sempre odiado) se conforme e se adapte ao seu otimismo moral. à isso esse tipo de ativista o chama de "realidade" (sempre amada), aquela que está conforme sua projeção de um belo passado perdido ou conforme projeção de um radiante futuro a ser instaurado. contra tal eu vos digo: um outro caos é possível! 

o mito inspirador deste pulso é do povo taulipang, "como os homens receberam a rede". agradeço às resistências indígenas, à formação dos quilombos, à rebeldia dos black-blocs, ao povo cigano que não reivindica estado algum e as inquietações de pessimistas estruturais e morais.


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da mitologia do projeto verbo-áudio-visual "cybiose al-suluk", eis que surge seu desdobramento de sabedoria oral: cyborgânia primitiva: espaço de heresia ativa da radicalidade narrada por cybionte [-1] em episódios denominados "pulsos".

projeto:
[1] http://br.myspace.com/cybiosealsuluk
[2] sukorskianas: http://snd.sc/pVRSJA
[3] kyb3rpunk3rz: http://snd.sc/Hbtkbp

mitologia:
[1] vou-me embora pra ciborgânia:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/2013/05/vou-me-embora-pra-cyborgania-por.html
[2] o princípio do mundo:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/2012/02/o-principio-do-mundo-mitologia-cybionte.html
[3] a lenda da inundação geral:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/2012/02/lenda-da-inundacao-geral-mitologia.html

léo pimentel:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/

apoio:
instituto autonomia
http://institutoautonomia.blogspot.com

[7] Em dEfEsA dA cIÊncIA: A IrrEvErsÍvEl nAtUmOrtAlEzA




pulso de hoje: "em defesa da ciência: a irreversível natumortaleza". trata da questão da necessidade das políticas do não-estar e do não-ser se apropriarem da ciência para se realizarem libertariamente na prática (ciência negativa). por exemplo, apropriação da medicina, já que esta, até então, nos atribui uma indigna pena de vida. sejamos doutores e doutoras frankenstein de nós mesmos/as (medicina negativa) para darmos um basta definitivo à governabiliodade afirmativa de nossa vida e morte.

hoje o mito inspirador é do povo parintintins, "o roubo do fogo". agradeço a stephen hawking e seu "paradoxo da informação", a carl sagan em sua luta contra o "analfabetismo científico", ao médico jack kevorkian e sua luta pelo "direito de morrer", ao universal por semelhança dos povos, à natumortaleza de julio cabrera e ao replicante roy batty em "blade runner".


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da mitologia do projeto verbo-áudio-visual "cybiose al-suluk", eis que surge seu desdobramento de sabedoria oral: cyborgânia primitiva: espaço de heresia ativa da radicalidade narrada por cybionte [-1] em episódios denominados "pulsos".

projeto:
[1] http://br.myspace.com/cybiosealsuluk
[2] sukorskianas: http://snd.sc/pVRSJA
[3] kyb3rpunk3rz: http://snd.sc/Hbtkbp

mitologia:
[1] vou-me embora pra ciborgânia:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/2013/05/vou-me-embora-pra-cyborgania-por.html
[2] o princípio do mundo:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/2012/02/o-principio-do-mundo-mitologia-cybionte.html
[3] a lenda da inundação geral:
http://amantedaheresia.blogspot.com.br/2012/02/lenda-da-inundacao-geral-mitologia.html

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quando falamos "eu penso que...", quem será que escondendo? a voz do pai? da mãe? dos/as professores/as? padres? policiais? da moral burguesa ou proletária? ou as idéias de alguém que já lemos? escutamos? ou...
 
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