sugestões de uso deste blog

bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

de SOLarius a SOLarius - microconto inspirado na HQ “lendas inventadas” de lima neto

de SOLarius a SOLarius*

[A]m[A]nt[E]:|:da:|:h[E]r[E]si[A] – aka. léo pimentel - Cerrado, primavera, 2022
*microconto inspirado na HQ “lendas inventadas” de lima neto



500 anos em 50 se passaram... muita invenção se tornou lenda...

hoje, os horn runners, caçadores de candangos pós-humanos, governam. seus sonhos se realizaram. os nossos pesadelos também. aqui é tudo concreto, asfalto e espelhos. impermeabilização radical do solo e das sensibilidades. distopia bandeirante, pentecostal e modernista onde, certa vez, não como utopia, o cerrado existia em toda sua soberania. ao menos para a atual população neo-brasiliense e para turistas-avatares, sua versão holográfica permanece. todo olhonet é capaz de vê-lo por toda a cidade. uma miragem feita de padrões de interferências de luz, dada como prêmio de consolação às nossas tristes vistas sodomisadas por mais de cinquenta tons de concreto. um monumento autodedicado aos replanejamentos anticerradistas de uma cidade insistentemente planejada. mas não para nós.

no entanto, havia uma antiga e curiosa lenda que dizia que às margens da hipervia BR-040-666, na época de sua construção, teria sido soterrada a casca de um belíssimo monstro quadricórnio azul. soterramente por desprezo. mas que para nós, tal seria uma espécie de gigantesco exoesqueleto de cigarra que um dia nos teriam presenteado como símbolo do pioneiro indômito, mas que em um futuro próximo, emergeria de debaixo da terra para o início de uma outra aurora cerradina. ainda hoje dizem que essa história não é apenas uma lenda. que há evidências que a confirmam. uma delas é que pode-se ver, somente a olhos nus desconectados, a ponta de um de seus chifres em meio às astes de emissão de energia das placas solares asfálticas... e que outra evidência seria que, neste mesmo lugar, surge um curioso holopixo de um tijolo antropomórfico segurando uma lima na forma de granada. aparição de tempos em tempos e ao acaso, como uma interrupção na neuroprogramação dos outdoors do GDF.

outros 500 em outros 50... novas lendas foram inventadas...

vocês também estão ouvindo esse ranger de aço? um sutil canto estridente e ritmico. mas suavisado por lã de vidro... será que vem chuva ai? e esse cheiro de plástico queimado? queimada é impossível. hologramas não pegam fogo. mas vocês também não estão sentindo? sim! alí no horizonte! vejam! eu sabia! sim! existe! esse nosso estranho banzo é sua via de comunicação. é a monstruosa cigarra com suas pontas ásperas gigantes! solarius! é o seu nome! ela nos chama! como um sensual e amoroso canto de sereia. um a um, uma a uma... cada um e uma de nós, descendentes ciborgânicos des pioneires candangues! ou melhor dizendo, cacildis! pioneiris candanguis! tomemos um mésis para comemorar! sim! nós, andróides e ginóides sonhamos com capivaras elétricas!



AprEsEntAçÃ0 & cOnsidErAçÕEs CIACT 07 - GT8 (10.jUn.2022)


entre os dias 06 e 10 de Junho de 2022, aconteceu o 7º Congresso Internacional de Arte, Ciência e Tecnologia e Seminário de Artes Digitais (CIACT-SAD) de 2022, com o tema geral "Transcendências". este que se desdobrou em uma nuvem de subtemas, alcançando discussões sobre entropia, determinismo e acaso; extropia, transhumanismo e aprimoramento humano, pós-humano, pós-biológico e singularidades; interações interespécies; a hipótese de gaia; tecnogaianismo dentre inúmeros outros subtemas e abordagens.

no dia 10 de junho às 16h, no GT8, apresentei o artigo "desde uma névoa misteriosa, um neo-iluminismo cinza: o caso de 'a guerra como dogma'". artigo este escrito por três cabeças: a minha, mais a do ciberpajé (edgar franco) & wescley dinali.

segue o vídeo com a minha apresentação mais as considerações de dois grandes artistas|professores, fernando gerheim (https://www.ppgav.eba.ufrj.br/?post_t...) & rodrigo plagieli (https://www.ppgav.eba.ufrj.br/?post_t...)


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"a guerra como dogma" é uma obra transmídia realizada por ciberpajé (http://ciberpaje.blogspot.com/), com seus aforismo, o noise de alice psicodélica (https://depressivenoiserecords.bandca...), wescley dinali, mais o meu gesto zinematográfico (https://amantedaheresia.blogspot.com/). o CIACT-SAD é organizado pelo Laboratório de Poéticas Fronteiriças (http://labfront.tk - UEMG/CNPq) a partir de comitê composto por membros de várias instituições (UEMG, CEFET-MG, UFSM, UFBA).

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edição| amante da heresia
música| alice psicodélica

ESTRELAS CÓSMICAS: Ciberpajé & Diavolos (Official Video). Direção de Amante da Heresia


desde o inigualável ciberpajé, nasceu à mim um convite: fazer um videoclipe! mas com uma única condição: liberdade total para piratear seus desenhos. o que pode acontecer, quando se dá como condição a um pirata aquilo que ele mais gosta de fazer? sincronicidade! eis a resposta! deixar ser pirateado é o mesmo que deixar-se ser pirata! mas de uma ordem especial: o pirata que se coincide, tanto com o seu próprio tesouro, quanto com a busca de um tesouro.

no fim das contas, um puta convite para um pirata puta! hahaha em meu convés, fiquei dando voltas. ora folheando álbuns ciberpajeanos, ora buscando pela rede. eu queria encontrar um tesouro raro. aquele de preço impossível & de valor incalculável devido ao modo que nos relacionamos com ele. foi quando vi, em um dos meus álbuns ciberpajeanos, o desenho feito para mim, pelo próprio punho do ciberpajé, como dedicatória. eis o meu tesouro! mas... meu mesmo? só porque foi feito para mim? mas ele não foi realizado sob o gesto de uma meditação de presença? um tesouro de outra ordem... agora, imaterial!

foi então que surgiu a ideia de que a raridade deste tesouro seria a combinação entre estes dois ingredientes: a materialidade do desenho único & a imaterialidade do gesto cósmico! o gesto do ciberpajé é um gesto de dádiva & de generosidade. um gesto que irradia amor. um verdadeiro jogo de guerrilha contra a máquina de guerra do ódio. uma teia de sentidos que representa o mundo & ele mesmo. desde ai comecei a fazer o meu próprio jogo: apropriação, combinação, jogos de encruzilhadas & recolocação em outro contexto, de preferência em outro contexto inusitado.

primeiramente me apropriei do máximo de desenhos-dedicatórias. depois passei a recombiná-los entre si para gerar outros desenhos. logo vi que encruzilhavam como fantásticas naves espaciais. zap! zim! vrum! zarparam em velocidade de dobra para um contexto retrô de árcades. mas sem saudosismos, pois é para o futuro que seguimos. & não sobre qualquer tipo de passos, mas sim sobre um tipo ciborguepunk-amante-da-heresia-metartista-transmídia-da-incerteza de grande coração que se movimenta em jogos de amores, dádivas e diversão criativa. assista ao videoclipe, pois aqui acabam o sentido de minhas palavras & sentidos. agora é a sua vez. boa viagem, divirta-se & ame. léo pimentel

[A]m[A]nt[E]:|:da:|:h[Er[E]si[A] &
mEt[A]²rtist[A]:|:tr[A]nsmídi[A]:|:da:|:inc[E]rtEz[A]


o OrÁcUlO cOrpAlmA de liAnA kEllEr (rEsEnhA p0ÉticA-simbÓlicA 2022)




de cara, um rei de copas. chega, como um mensageiro, ao cerrado, onde estou. à minha porta de galhos retorcidos e raízes profundas. veio desde porto alegre, de um rs que é tanto rio grande do sul, quanto risos, mesmo. ele está amassado, um tanto apoquentado. é preciso evitar nova dor no curso do amor. para isso é preciso habilidades artísticas que inspirem. pois bem! mensagem recebida! a força aqui é inspiradora e amorosa!

o vexado rei de copa também está em quebranto, encantado, de cabeça para baixo. trouxe uma carta em uma amarração elástica com a palavra oráculo. é um embrulho. e sim! é um oráculo envolto em um belíssimo tecido contendo uma adorável chuva de estrelas silkadas com amor e dedicação. certamente um sonho iniciático.

oris, boca em latim, seu diminutivo, oraculus. desse modo, para o povo romano, o destino é dado à boca pequena, em voz baixa, às caladas, em surdina, na intimidade. assim também vem o fóton, a partícula elementar, o quantum da força eletromagnética, que ao olho pequeno possibilita a visão refinada, por grafia, fotón-grafia. mas para tal refinamento elementar é preciso uma artífice, uma pessoa de extrema sensibilidade para realizar trabalhos manuais e imateriais. estes que nada mais é do que trazer à existência, aquilo que até então, não existia, ato poético, poiesis. mas não qualquer poiesis, mas uma que esteja em presença, em estar-“con”, junta ao tempus, projeta-te com quem vives na mesma época. vidas de corpo e alma. mas não tendo o corpo como prisão da alma, mas tendo-o como aquilo que traz à alma sua mais plena liberdade. todo este gesto, dado por uma bela e sensivelmente poderosa demiurga de intelecto singular, resumido em palavras por esta outra forma de boca pequena da seguinte maneira: oráculo corpalma – um oráculo fotográfico, artístico, poético, contemporâneo.

sim, mas de quem é tal gesto cosmogânico? dizem ser de uma demiurga-cipó lenhosa e selvática que conecta almas. liana das almas! seria ela, um tipo de ayahusca humana? um precioso elo delicado e sutil que nos conecta à realidade vegetal! demiurga-pessoa-cipó que nos provê, trazendo à existência, as mais fantásticas mirações impossíveis para vermos até então! pois não são do tipo que queremos ver, já que nada tem a ver com conforto, mas sim do tipo de miração que necessitamos ver. necessidade de sermos lançados/as rumo aos mais belos contatos abissais conosco mesmos/as. necessitamos seguir em frente. necessitamos que liana nos desvele! liana keller – artista visual, arte educadora, performer, taróloga.

de imagear único, brilhante e revelador joga com a multiplicidade das percepções, com as nuances da intuição e com o exercício mais refinado do intelecto. interpreta em dança bincante. constrói sentido como numa improvisação musical jazzística. virtuosa performática cuja cena inventa cosmos inteiros, sem o menor pudor. as emoções que dai brotam têm tantas cores, como se fossem a crição/composição de uma floresta amazônica bioluminescente. eis a mística disto! a profundeza abissal se reconhecendo como intensidade florestal. ou, em outras palavras a amazônia se reconhecendo com a zona abissal de um atlântico a dentro. espelhamento como habitat natural para florescer a vida bioluminescente de arcanos poéticos, intuitivos, performativos, inventados! demiurga coletivizada, descêntrica e sem hierarquia com os seres que inventara e que, no ato de invenção, contribuíram com a auto invenção da própria demiúrgica!

sendo brincante esta poderosa ferramenta de autoconhecimento e autorrealização, brinquemos! aqui estou com as cartas dispostas diante de mim. ao meu lado, o livreto explicativo/poético. tenho aberta a página “formas de jogar”. antes de escolher qual posição prefiro, me concentro nos assuntos que me interessam. preciso de orientação do oráculo. formulo uma questão. bom... na verdade roubo uma questão! e ela é a seguinte: qual o significado da vida, do universo e tudo mais? no meu caso não precisei esperar o cálculo de milhares de anos. de imediato a resposta foi... tan tan taaannn 40! hahaha são 40 cartas com imagens de arcanos inventados sem numeração! genial! agora, com licença que vou curtir os louros dessa brilhante resposta lianiana!

 
L[É]O:|:pim[E]nt[E]L,
[A]m[A]nt[E]:|:d[A]:|:h[E]r[E]si[A]
M[E]t[A]²rtist[A] :|:tr[A]nsmídi[A] :|:da:|:inc[E]rt[E]z[A]
cArnAvAl, cErr[A]do, 2022 
 

 


Letras & Livros: Pedro César Batista me entrevistou (25|fev|2022)


salve salve meu povo das insurgência para adiar o fim do mundo!
e na sexta carnavalesca dia 25/02 às 15h30 no programa LETRAS & LIVROS nº12, estive lá! fui entrevistado pelo meu grande camarada de luta por um mundo melhor pós-capitalismo PEDRO CÉSAR BATISTA!






& à cAmiNHo do :(){ cEmiTériO:|:de:|:elePUNKes };: foi então que apareceu uma rApOzA AbissAl

& à cAmiNHo do :(){ cEmiTériO:|:de:|:elePUNKes };: foi então que apareceu uma rApOzA AbissAl

01.
animais abissais passaram a ser pessoas; a bioluminescência dos seres mudaram. (V=λf)

02.
abismos herdados pelo amor, pela criatividade & pelo tornar-se experimento de si, depois que a humanidade caiu em niilismo... ora vazia, ora esvaziadora... Z0 = E/H = μ0 c0

03.
abismos vulcânicos transgressores. é preciso muita lava para transgredir o esvaziamento! & quanta vergonha para aquela pessoa niilista... Z0 = (119,9169832)π Ω ≈ 376,73031346177 ... Ω

04.
esta lava especial trouxe à superfície, belíssimos animais abissais. tua luz é da negritude da ordem da matéria escura que preenche o cosmos. r0 = 1.9 x 10-29Wh0gcm-3 que olhos incríveis! só poder ter uma visão singular sobre tudo isso.

05.
amas de modo plural; como podes ter apenas um amor, se teu coração é cheio de tentáculos afetuosos?

06.
ela se transformou, seu povo segue em perambulações ao acaso, é tudo original, o maravilhoso impera!

07.
sem dádiva, tudo está perdido; sem abundancia tudo é ilusório;

08.
quem nela se inspira, eis a tua herança; quem ela se inspirou, eis o teu mais precioso tesouro.

09
crie, então, como quiseres: sua obra nos toca & nos torna artistas em plenitude imaginativa & amante. impossível ser imune & não amá-la desde seus próprios abismos.

10.
é inútil resistir. é preciso se entregar. sem culpa, nem vergonha. é preciso libertar seu corpo das garras da alma. S~1088

11.
quem pretende ser impermeável ou refratário à tua bioluminescência faz de tua vida um todo já planejado; um todo determinado & previsível. v = H0.d

12.
não!

13.
faça de tua vida uma existência experimental!


INTERMEZZO

– anotações neuroafetivas rehumanas –
– data trans-estelar: -300959.81735159806 –

inscrições rupestre-futuristas:

de frente: “esta obra pode ser interativa” – toque o sino e jogue uma ideia ao espaço –
“faça de sua vida uma existência experimental”
à direita: “o erro é o alvo, a perfeição é uma des-honra.”
à esquerda: “firme, disposto, eis-me aqui, falou o arbítrio – rApozA”


objetos anarqueológicos:

– caixote-cápsula-multi-dimensional média feita de matéria escura;
– pequena caixa, também de matéria escura, de bruxaria biohacking. contém:
> artemísia (erva da vida, erva das bruxas ou a deusa das plantas);
> alecrim (escudo contra baixa energia do intelecto & da sensibilidade);
> dente-de-leão (planta solar de mirada ao futuro);
> hibisco (flor ligada à vênus que inspira abundância);
> marcela-do-campo (erva de oxum & nanã);
> anis estrelado (especiaria para fortalecer amizades verdadeiras);
> capim-santo (sangue vegetal para acalmar);
> camomila (a médica das plantas que cura as plantas vizinhas das suas doenças);
> olho-de-boi (no meio da testa simboliza visão interior & poder – emissor & receptor);
> barbatimão (nativa do cerrado, yba timó, “arvore que aperta”);
> canela (filha do fogo que propicia o amor erótico);
> um dente mesmo de jacaré (para fins de sentimento de fortalecimento);
> um coletor menstrual com sangue (a própria vida da alma que a batiza tal qual o batismo de fogo).
– glamour feitiçaria: espelho pelo qual se vê um sonho acordado de sua demiurga.
– potinho com alho: cápsula de proteção a tal protetor.
– coração-invólucro de matéria escura forrado com calêndula (flor de todos os meses para afastar a violência) & uma chave (para abrir as portas do amor & da plenitude) sobre ela.
– aliança & cápsula, ambas também forjadas em matéria escura. há a inscrição rupestre-futurista “não”. um poderoso jogo de encruzilhadas contra a instituição falida do casamento & pró amores polifônicos e diversos.
– círculo-invólucro de matéria escura forrado com guaco (erva fria & calmante que estimula o amadurecimento individual) & cartão de memória (cápsula do tempo para fins criativos) sobre ele.
– preservativo & um pisca-alerta: amai-vos & não vos multipliqueis!


OSSIA


transcrição do holovisor desmórfico:

cena 01:
ruínas de ferro contorcido, madeira queimada, vidro estilhaçado & equipamentos de áudio, vídeo & holografia em perfeitas condições de uso metareciclador. mas ruínas da mais alta expressão de organização: a anárquica. pUnk[A]l_sUlUk adentra. olhos atentos. vivos. há um delicioso aroma de ervas, flores com notas de sangue ancestral. esses cheiros trazem recordações; fazem o intelecto, a sensibilidade e os afetos se expandirem. seus ouvidos se afinam aos ruídos arco-íris do ambiente. psicodelia em desvio aos tons negros. sua pele se arrepia. é como se estivesse nu em uma estrelada noite de verão no cerrado. sua kundalini é ativada. sobe da base de sua coluna e lhe coloca em chamas criativas. aqui o presente holovisor desmósfico oscila. a energia liberada é muito poderosa. gliths nanorobóticos acontecem. pixels vivos que se movimentam como o burburinho dos estorninhos. a forma de uma belíssima raposa se condensa. é uma kitsune de matéria escura. sua bioluminescência é abigarrada, manchada, mosqueada, ch’ixi.

cena 02:
gliths nanorobóticos de um antimetaverso de fundo de anarquismo fantástico indicam que tal belo holoanimal abissal chama-se rApozA sUjA. uma demiurga do tipo ewá orixá, que além de ambas protegerem a sensualidade & a beleza, também enganaram a morte por diversas vezes. será que em seu DNA transmórficos contem rastros da turritopsis dohrnii? pois seus movimentos são ágeis, fortes e delicados. impossível para alguém de tantos séculos de existência experimental. seu intelecto, sensibilidade & afetividade estão a anos-luz de nós pós-humanos. vê-se em seus olhos que há muita vitalidade. sua vida em experimento se expande como o pando, a floresta de uma árvore só. ela olha com ternura para pUnk[A]l_sUlUk. & lhe sussurra, ao mesmo tempo em diversas línguas, uma única palavra de inspiração. ele está completamente encantado. pUnk[A]l_sUlUk entende a mensagem. seus ouvidos vibram na mesma frequência de toda ruidalização libertária. um pequeno tapete de grama sintética, replicante, surge sob suas botas gastas por tantos caminhos desbravados e inventados por elas. logo se ajoelha diante do caixote-cápsula-multi-dimensional rapoziana-sujística.
 
cena 03:
um umbral abraça o espaço. ofusca todo o presente holovisor desmósfico. no entanto, como um trovão longínquo, é possível o sibilar de um sino. em seguida, ouve-se as seguintes palavras da boca de pUnk[A]l_sUlUk:

certa vez, assim falou nietzsche: "outros povos nos deram santos, os gregos nos deram sábios". daí acrescento: "nós, párias apátridas, parimos hereges". sem gritarias assistimos todos cumprirem seu papel histórico: o senso comum, os mitos, a religião, a arte, a filosofia e a ciência. muletas do pensar sedentário, inventores de igrejas, galerias, cátedras, laboratórios e estados, apenas para garantirem sua duração no tempo. apenas separam a liberdade da libertinagem.

nada mais se vê. nada mais se escuta. nada mais perfuma. no entanto, sabe-se que dali nasceu um novo cosmos. algo de proporções monstruosas. pois nossos radiotelescópios detectam a poderosa radiação de fundo desta caixote-cápsula-multi-dimensional média feita de matéria escura chamada “faça de tua vida uma existência experimental”... ecce monstra!

fim da transmissão... fim da transmissão... fim da transmissão... fim da transmissão...



L[É]O:|:pim[E]nt[E]L,
[A]m[A]nt[E]:|:d[A]:|:h[E]r[E]si[A]
M[E]t[A]²rtist[A] :|:tr[A]nsmídi[A] :|:da:|:inc[E]rt[E]z[A]
vErÃO, cErr[A]do, 2022







[04] & assim abrimos 2022 (do blog crônicas da monstra)

 [[este é um link alternativo, o original é este: https://eccemonstra.blogspot.com/2022/01/04-assim-abrimos-2022.html ]]

ao despontar o ano de 2022, a eCCe mONSTRa se agita. mete os tentáculos na porta & abre o ano com uma exposição homenageada com uma instalação & brindada com um duplo lançamento. resultado: um salto múltiplo twist carpado.  
 



pouco antes das 16 horas, a primeira expositora, aquela que irá abrir o portal para 2022 à eCCe mONSTRa, r[A]pOz[A] sUj[A] - ⚔ lucifer da floresta ⚔ - adentra nosso espaço. & muito bem acompanhada por r[A]f[A]el ksénos, n[A]y[A]n[A] m[A]tsu, rEn[A]t[A] rIOt & dEv[A]n[A] b[A]du. r[A]pOz[A] chega com um presente de valor incalculável dada à eCCe mONSTRa. uma instalação anarco|psico|mágica de insurgência-para-adiar-o-fim-do-mundo, chamada "FAÇA DA SUA VIDA UMA EXISTÊNCIA EXPERIMENTAL"! uma dádiva que, de tão transbordante em exuberância, se tornará ritual incontornável para se poder deleitar todas as delícias maravilhosas expostas nesta microgaleria de audiovisualidade que voz fala.
 
[curiosidade: a foto utilizada como base desta colagem
foi que determinou a escolha das fotos dxs demais expositores.] 
 
> FAÇA DA SUA VIDA UMA EXISTÊNCIA EXPERIMENTAL <
texto: r[A]poz[A] suj[A]
"essa, aquela atmosfera rodeante, desviante. que entope todos os seus buracos manifestados em ausência de carne local, específica, funcional. que ladeia e afugenta a consideração da possibilidade da experimentabilidade. que, por vezes, te impede de considerar como seria se aquilo que faz coçar a geleia que preenche a cuca passasse do estado simbólico de suas imagens/linguagens mentais à materialização de um símbolo. essa atmosfera carrasca , genocida da selvageria natural da obstinação, do desejo, da naturalidade do impulso criativo. esta, esta mesma que te impede de tocar o sino, assassine-a e experimente, novamente, a multi-arte das nuances transfigurantes da realidade, rumo à feitura da utopia como defensora e praticante de seus vislumbres."
 
#esta obra é uma contribuição ao cultivo, manutenção e disseminação
do seio e da essência desta microgaleria insurgente sob a qual estamos pisando.
é também inspirada na série de zinesruídos em ruínas | ruínas em ruídos
de [A]m[A]nt[E]:|:da:|:h[E]r[E]si[A](léo pimentel), peça a ele se ainda não viu#

 

 
foi muito inspirador & empolgante ouvir as palavras desta artista insurgente sobre seus processos criativos. também foi realizador poder sentir, emanando de seus gestos & de seu olhar, todo o poder de sua poética em rebeldia & re-existente. para quem não esteve presente no dia, ao menos pode sentir parte de sua força na edição da gravação que fizemos:

em seguida, às 17h e pouquinho, porque houve um pequeno atraso devido a problemas maquínicos, surge na eCCe mONSTRa uma aparição, em nada fantasmagórica, mas não menos fantástica, de nosso grande amigo jOsÉ lOUrEs - artista multimídia, pesquisador, professor & produtor cultural! veio até nós de modo online desde anápolis (go).

josé loures veio nos brindar com uma divertida e inspiradora conversa sobre sua brilhante trajetória no mundo dos jogos enquanto expressões artísticas, políticas & ações críticas e transformadoras. até chegar à sua gamearte aqui exposta, a O ORÁCULO DA POLÍTICA BRASILEIRA (2018). &, olha, sua trajetória é phoderástica! veja alguns de seus passos:

1. santos e ídolos no rock (2011): 54 cartas criadas com um ídolo do rock, tanto brasileira quanto internacional, estampado em cada uma delas. 

2. tarô: caos e cosmos (2012): uma mistura das vivências, anseios do autor e elementos da cultura pop foram utilizadas para o desenvolvimento das versões de cada um dos arcanos maiores.

3. oitavo dia (2018): há a figura de Eva 2.0, um corpo de mulher a ser modelado. para tal, há 60 cartas de modificações corporais, moedas & 1 dado.

e enfim, seu O ORÁCULO DA POLÍTICA BRASILEIRA (2018): 

"No tabuleiro estão presentes 4 espaços que simbolizam: escândalo, prisão, morte e presidência. O jogador deve se concentrar, embaralhar as cartas e preencher os espaços determinados. O resultado representa o futuro político que aguarda o jogador em um futuro próximo. Uma das propostas do Oráculo da Política Brasileira é discutir de maneira irônica o papel do eleitor nas eleições e a corrupção que está enraizada no sistema político brasileiro."

 

veja como foi a divertida & inspiradora fala de loures:

e depois dessa apresentação empolgante, o AmAntE:|:da:|:hErEsiA & mEtA²rtistA trAnsmídiA da incErtEzA passeia pela eCCe mONSTRa mostrando ao loures o tanto que todes nós nos divertíamos com seu ORÁCULO.

 


e chega as 18h. momento dedicado até às 20h ao vídeo experimental. e quem vem para abrilhantar este momento? lOrEnA fErrEirA & frEdÉ CF

lorena ferreira genial artista de "baixa tecnologia de ponta" (como diz nosso amigo tb artista artur cabral) & performer sonoro-visuais. ela veio, online desde o município de alto araguaia (MT), agigantar nosso hall de expositores para conversar com a gente sobre seu vídeo experimental aqui em exposição MANTRAM DURGA REMIX. vídeo realizado através de improvisação de sons & imagens criadas por meio de linguagens de programação para live coding. no caso, lorena utilizou a plataforma Hydra (live coding networked visuals). assista aqui sua adorável & esclarecedora fala:

e nosso dedicado & adorável público segue prestando a atenção, interagindo & contribuindo com valiosíssimas questões & comentários. 

na sequência entra em cena as magníficas luzes & sombras psicodélicas do grande artista transmídia folk eletropunk de trincheira (ou seria de guarda-roupa?) frEdÉ CF. desde goiânia (GO), ele junta-se a nós numa onírica conversa sobre seu rico & criativo universo ficcional MEKHANTROPIA. na verdade um multiverso em expressões artísticas: textos, fotografias, imagens (https://mealuganao.blogspot.com/), álbuns musicais (https://fredefoak.bandcamp.com/), videoclipes (https://www.youtube.com/channel/UCdaptcr1-HOWrtetbPBP8vQ) & um curta-metragem. destes múltiplos versos, escolhemos 3  videoclipes & o curta. são eles:

AO AMANHECER https://youtu.be/3VjBH9zDx98
PODRE RESSENTIDO https://youtu.be/Tu27KSyUP_c
POÇO SEM FUNDO https://youtu.be/0L87nmHkwl4

CARTA A VALDEZ https://youtu.be/AVoWvjHviGI

eis aqui a fala mekhantrópica frederiana sobre seus processos criativos e poética!

 

 

e foi chegado o momento dos lançamento! 5... 4... 3... 2... 1... CANÚBIS & TERTIUM DATUR SEM SÍNTESE! foram lançados! dois projetos músico-ruidosos com toques ciberpajeanos! um aforismático, o outro dissertativo! mas ambos transbinários!

CANÚBIS: CÃO & ANÚBIS, Cannabis – Realidade Vegetal, Roy Asccot. (Ciberpajé & Fredé CF)

"acordei em uma madrugada de lua cheia, em meio a pandemia, com uma melodia em mente que me veio de um sonho. o relógio marcava 3:33. nesse sonho eu estava em uma festa (ou ritual) ancestral, em um templo em meio à natureza, com muitas plantas, animais e seres antropomórficos que me rondavam, dançavam e tocavam músicas calmas, porém intensas e viscerais. tentei reproduzi-las usando violões (aço e nylon) e alguns sintetizadores e efeitos eletrônicos, para trazer uma ambientação mais onírico-psicodélica para as músicas, além de estéreos e contrastes entre o orgânico e o virtual, o ancestral e o futurista, o validado e o abstrato, a fantasia e a lucidez, tudo em constante movimento. "
 
 
TERTIUM DATUR SEM SÍNTESE
(QUILOMBOT > Ciberpajé e AmAntE da hErEsiA) https://quilombot.bandcamp.com/releases

o binarismo só poderia ser inventado por seres apartados da natureza cósmica e natural, autocentrados, egoicos e anticósmicos. e perceba, em certa medida, esses seres dominam hoje a cultura humana, somos regidos pelo hipercapital que acredita que a natureza é uma massinha de modelar e pode ser usada ao seu bel prazer. foram esses seres que engendraram o binarismo, pois ele dialoga diretamente com sua perspectiva equivocada da vida, toda ela construída de impressões binárias que resumem suas interações com o mundo a partir de um GOSTO/NÃO GOSTO, AMO/ODEIO, BOM/MAU, AMIGO/INIMIGO. não existe nem ao menos uma terceira possibilidade, e o que eles amam costuma ser apenas a eles mesmos. assim o resto da humanidade torna-se o inimigo a ser destruído ou compro para trabalhar para eles, mas sempre inimigo. nada de realmente integrativo, cooperativo, empático e belo pode nascer de tal linguagem. 

o lançamento seguiu a linha da audição precedida por uma introdução de seus realizadores, sobre como foram criados os eps & as respectivas artes das capas, & quais foram as ideias que motivaram tais criações, & sucedida por questões & comentários do incansável público. como se vê no vídeo a seguir, nosso querido CIBERPAJÉ (edgar franco - https://ciberpaje.blogspot.com/) dá a largada nos envolvendo & acolhendo com uma instigante introdução a ambas obras primas do underground que tem o seu toque: seu projeto sonoro-aforismático "ciberpajé", cujo convidado da vez, para concebê-lo, é o fredé cf; & seu recente projeto transbinário ruidalizador-dissertativo, o QuilomBot, em pasceria com amante da heresia em seu primeiro ep "tertium datur sem síntese". 
 
 
em seguida, vibrante & empolgadamente, FREDÉ CF discorre sobre outos detalhes da concepção de seu CANÚBIS com ciberpajé.
 
 
e, enfim chega a última fala deste dia inesquecível, AmAntE:|:da:|:hErEsiA & mEtA²rtistA trAnsmídiA da incErtEzA nos conta, de modo quilombotesco, como o ep TERTIUM DATUR SEM SÍNTESE foi construído na ideia de transtese transbinária. algo que somente assistindo ao vídeo e ouvindo o ep, pode se compreender a extenção de tamanha doidêra criativa, crítica, desestabilizadora e divertida que é estar em QUILOMBOT.
 
veja agora o vídeo:



& assim, finalizamos essa incrível abertura de exposição & lançamento de eps, aqui em nossa microgaleria de audiovisualidade eCCe mONSTRa.
 

vida longa e próspera para a eCCe mONSTRa! 
vida longa & próspera para todas as monstras, monstros & monstres 
que por aqui insurgirão em obras & em presenças!



mƎt[A]²Яtᴉ₴t₳:|:tЯ[A]₦₴mídᴉ[A]:|:da:|:ɨ₦cƎЯt3Ƶ[A]
lÉ0 pim3ntEl – [A]m[A]Иt[E]:|:da:|:h[E]Я[E]si[A]
c[E]rr[A]do, v[E]rÃO, 2022
quando falamos "eu penso que...", quem será que escondendo? a voz do pai? da mãe? dos/as professores/as? padres? policiais? da moral burguesa ou proletária? ou as idéias de alguém que já lemos? escutamos? ou...
 
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