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bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

A dOnA AUsEntE - pOr UmA fIlOsOfIA dE UmA fIlmAdOrA EmprEstAdA

para começar, o empréstimo não deve ser concebido como forma ou como objeto, mas sim como pensamento. no entanto, um empréstimo não condensa apenas um pensamento, pois não é o pensamento nem de quem empresta, nem de quem recebe o emprestado: são os pensamentos entrecruzados de ambos/as. quem empresta e quem recebe o emprestado cria uma relação que pensa: pensamento plástico. a relação de empréstimo pensa.

o empréstimo não produz objetos, realiza sujeitos. realizações pensantes que não pensam burocraticamente. realizam significações. quando o que é emprestado produz uma obra, tece uma rede de elementos que constituem pensamentos concretos somente possíveis dentro da relação de empréstimo: o conjunto das realizações pertence a um pensamento genérico de um todo orgânico, de um todo que o ultrapassa. não é quem empresta e quem recebe o emprestado que exprime esse todo orgânico, esse pensamento geral: é o conjunto da obra e a relação que exprimem esse pensamento – unidade genética.
quando se realiza/pensa dessa maneira surge uma interessante política entre autorias. surge a impressão de características originais de criação-em. temos uma relação criadora que se dá como espécie de conjunção abstrata, porém afetiva, de uma série de elementos que se encontram nas realizações diferentes dos/as mesmos/as de quem empresta e de quem recebe o emprestado. o empréstimo está na gênese da obra: demiurgo/a da criação de um universo instaurado para somente viver de modo relacional.

o empréstimo é um médium realizador no qual o/a artista se encontra nele e se identifica com ele. o/a artista realiza sua autoria de modo acidental, não exprime nada, a não ser pela relação. não podemos conceder mais valor do que deve ao/à artista. pois estes/as buscam assegurar seus poderes materiais e objetivos sobre a obra. é preciso desenvolver uma evidenciação das questões imateriais ligadas ao empréstimo. porque não, desenvolver um belo misticismo fetichista em sentido erótico? assim, a obra realizada por tal médium, não é a obra mesma, mas sim uma compreensão silenciosa e amorosa da relação.

num estudo de história do emprestado, as realizações por meio de tal nunca são primárias, destinadas à independência. elas são orbitas, já que emprestar é o núcleo que carregam em si mesmo o próprio processo da criação e da realização. seus princípios não regidos pelas relações intuitivas e expressivas do criar-em. não existe tabula rasa no emprestar. este nasce num fundo vazio, viaja para o visível, volta ao afeto, e a uma abstração, e renascem dentro das criações/realizações. tudo importa, já que se inspira na realidade vivida da relação: nada simples, nem mecânica.

o realizado/criado pelo emprestado encontra-se na realidade vivida da relação anunciada acima, ou seja, encontra-se nesses horizontes interiores, onde se constrói uma vivência superior à da experiência imediata do uso, mesmo que seja alimentada por ela. o uso se torna único, torna-se capaz de fecundar todas as experiências que lhe orbitam. o uso se acha fora de sua utilidade material, se torna jogo de fusões entre substâncias artísticas tornando-se mais precioso por incorporar-se à eternidade da obra de arte realizada. emprestar e usar criam uma substância artística maior do que seus limites materiais.

obrigado larissa!

léo

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