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bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

o retorno do diabolus: missão fotográfica

diabolus|fotografia: uma [re]volta – sim, todo mundo pode tirar fotografias, editá-las e compartilhá-las! sim, notas imagéticas do dia a dia! mas... como pensamos com elas? pensamos com elas? se por fotografia entendemos: reviver experiências vividas (memória); um conjunto mais ou menos articulado de imagens sobre algo (conhecer); um tipo particular de força ou de intensidade que atua como modelo de comportamento (valorar); e fazer isto e/ou aquilo de acordo com as possibilidades dentro do universo fotográfico (agir); então a fotografia é um dos principais meios de robotização do pensamento. porém, o que marcia tiburi pretende, em diálogo|fotografia com luiz eduardo achutti, é a inquietude diante dessa robotização. excelente catalizador de nossas perplexidades. saborosa forma de indisciplina para continuarmos pensando. femme qui courent avec les loups.

tudo ia bem no diálogo, se não fosse, mais uma vez... a outra parte... sim, ao fim de minha leitura do livro, acabei por preferir somente as cartas de marcia – femme sauvage. e, em meio a esta preferência, ele novamente saltou em minha frente, intrometido, impulsivo, sorrateiro e dançarino. quem? o diabolus! sim, o diabolus! ele voltou! um brinde de rum com chá preto, eu o saúdo!

de imediato, apaguei de minha memória todas as cartas que luiz achutti tinha respondido. amnésia voluntária e interesseira. em seguida me coloquei em seu lugar. e assim, foram inventadas estas páginas, estas segundas respondências, as quais nomeei de "o retorno do diabolus: missão fotográfica"!

eis a primeira!


01
[primeira (cor)respondência]

assim falou marcia: “a morte da fotografia teria que ser compreendida como a morte da técnica junto da morte da arte”.

marcia, gosto muito de pensar a morte das coisas. a terminalidade de cada coisa que um dia foi iniciada. e falar sobre isso é como contar histórias de fantasmas para adultos. desse modo, começar a falar sobre a fotografia a partir de seus aspectos noturnos me interessa muito. chego a pensar, tal qual schopenhauer em seu “ensaio sobre as visões de fantasmas”, que a fotografia pode ser uma espécie de condutora ao reino telúrico, obscuro e tenebroso da psique, um reino sempre eclipsado pela claridade da razão, luminosa e solar, que de vez por outras, deixa escapar uma obscura beleza à luz dos pálidos raios lunares, origem de toda arte. a fotografia em seu lado noturno. a fotografia em sua morte. então vamos lá:

morte da fotografia: morte do inconsciente óptico em seu constructo técnico que veicula um pensamento, um pathos, um agir;

morte da técnica: morte do como das coisas em seu circuito total que inclui ferramenta, ao menos duas pessoas e um ambiente;

morte da arte: morte de uma quimera mitológica que aprendemos a chamar de “eu”.

três mortes do despertar e do promover ideias, ideações, movimentos do pensamento, formas que pensam, que nos põem a pensar – no entanto, morte de nossa suspeita de que elas nos formatam. história(s) morta(s) da imagem, da imaginação, do saber olhar. continuemos...

na arte e na técnica da fotografia parece que, em seu aspecto diurno e auroral, nos importa o que elas, enquanto sistema, pensam ou o que nós podemos pensar sobre elas. no entanto, em nossa história de visões de fantasmas, nossa opção pelo aspecto noturno e crepuscular, nos importa mais, o que com arte/técnica/fotografia, contra arte/técnica/fotografia ou a partir de arte/técnica/fotografia somos capazes de pensar/sentir/agir – ver em direção ao desconhecido, para além de uma hermenêutica do visível. nesta morte anunciada por marcia, que neste momento de anúncio adquire a imagem de um corvo, há um desmonte dos pressupostos hermenêuticos da conservação da tradição, da constituição de uma comunidade e da formação dos indivíduos. um anúncio de um para além da formação [forma(t)ação] e do sujeito [(as)sujeitamento]. marcia anuncia que a arte/técnica/fotografia morre cada vez melhor. porque sua(s) morte(s) continua(m) produzindo visões novas, visagens nunca vistas. assim como há ressurreições do mesmo cada vez piores, como por exemplo, a “retomada” (1995-2005) do cinema brasileiro – mas esta é uma outra história de fantasmas para adultos...

léo, amante da heresia


foto tirada no cemitério de salobrinho em ilhéus | léo pimentel | out|2012

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