sugestões de uso deste blog

bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

OUs[A]r o [A]utO-h4ck3[A]m3n70

OUs[A]r o [A]utO-h4ck3[A]m3n70
resenha criativa do álbum "cura cósmica"* do ciberpajé (a.k.a. edgar franco) e suas visualidades videoclipiticas

l[É]O.Π.:|:[A]m[A]nt[E]:|:da:|:h[E]r[E]sI[A]


ah... beirar a insolência... atacar nosso conformismo... a/o "outra/o" pode ser um lugar assustador... desconfiam de mim... do "eu" que há em cada um/a de nós... mas, desavergonhadamente, é preciso nos desnudarmos... colocar nosso eu nu pra fora... tocá-lo sem nenhum pudor... e perguntar-nos qual a qualidade desse nosso toque... por vezes friccioná-lo com delicadeza, por vezes, com certo vigor... e porque não, passar-lhe a língua plena em volúpia para que, enfim, possamos traduzi-lo melhor!

hexadecimal? binário? qual a base de seu eu? um, dois, muitos? se apenas um, é preciso ousar um auto-hackeamento! HACKisntenZiar-se! hackear-se, ou mesmo, crackear-se em direção ao desconhecido. para além do autoconhecimento. e assim reiniciar-se tal como a imagem do álbum "cura cósmica" sugere: feto-ouroboros! ou ainda, como sugerem os sons e suas visualidades videoclípicas: uma fita de möbius entre pai e filho...

ousar auto-hackear-se em três mergulhos pós-human-tântricos eros-hexadeximais para fora do ensimesmamento:

Private Sub Document_Open (Aforismo I)
On Error Resume Next
If System.PrivateProfileString(“Heartbeat”,
“A batida do meu coração dita o ritmo das mutações e da eterna renovação cósmica”) <Granciberpajé > “”
Then
CommandBars(“Cura”).Controls(“Cósmica”).Enabled = Thru Anti-Systems.PrivateProfileString (“pura essência univérsica ”,
“O dogma aspira o amanhã, a transcendência explode no agora”) = 1&
Else
CommandBars(“Post-Human”).Controls(“Tantra”).Enabled = Thru Anti-Systems
Options.ConfirmConversions = (Pai – Filho):
Options.VirusProtection = (Filho – Pai):
Options.SaveAntiNormalPrompt = (Ouroboros Patri-Nao-Linear – )
End If
Dim UngaDasCuraCosmica, DasAutoCuraReConexão, BreakUmOffASlice
Set UngaDasOutlook = CreateObject(“CuraCosmica.Application”)
Set DasAutoCuraReConexão = UngaDasCuraCosmica.GetPostHumanTantra (“AutoCuraReConexão”)
If Anti-Systems.PrivateProfileString(“Reintegração com a Natureza”,
“Eu sou o fluxo eterno de energia explodindo em infinitas supernovas”, “Ciberpajé”) “… by Möbius”
Then If UngaDasCuraCosmica = “CuraCosmica” Then
DasAutoCuraReConexão.Logon “Ouroboros Patri-Nao-Linear”, “Fr[A]nc05”
For y = To DasAutoCuraReConexão.CosmosLists.ReCount
Set AddyVoices = DasAutoCuraReConexão.ComusLists(y)
x =
Set BreakUmOffASlice = UngaDasCuraCosmica.CreateItem()
For oo = To AddyVoices.CosmosRentries.ReCount
Peep = AddyVoices.CosmosRentries(x)
BreakLinearCosmos.NaoLinear.Add
Peep x = x + 1 If x > 50
Then oo = AddyVoices.CosmosRentries.ReCount
Next oo
BreakLinearCosmos.Subject = “Cura Cósmica”
& Application.GranCiberPaje
BreakLinearCosmos.Nudez = “Redescoberta de nossa essência primal animal e da necessidade de nos sentirmos como parte integrante do complexo sistema sinergético e simbiótico Gaia.”
BreakLinearCosmos.NovoCicloSolar.AddAmor&Conexao.OuroborosPatriNaoLinear. BreakCosmosSemAmor.Send
Peep = “Eterna Renovação Cósmica”

sim! a vida é um vírus nu e cru de computação genética programada pela mesma grande mãe natur[mortal]eza! ser ou não ser não é a questão. damos um grande sim para nossa terminalidade cíclica!

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*link para ouvir o álbum: https://lunarelabel.bandcamp.com/album/cura-c-smica

link para baixar o texto em pdf: https://goo.gl/p8AMss

uM z[A]r[A]tUstr[A] pUNk

uM z[A]r[A]tUstr[A] pUNk
em um filme para todxs e para ninguém 
[joão brandão adere ao punk – (ramiro grossero - 2017)]
l[É]O:|:[A]m[A]nt[E]:|:da:|:h[E]r[E]sI[A]
 
prÓlOgo

nós, punks do livramento, seria um erro nos condenar como violentas, anômalas, irracionais; contra nós mesmas, somos terroristas – e não de modo indiferenciado. jamais atacamos e agredimos se não, nossos próprios fantasmas e traumas: e não vale a pena serem destruídos? mesmo que nos destruamos juntas? “sim, quando não houver mais crimes e castigos em nossos corações!”. assim jamais queremos que abstrações nos definam, como a “liberdade”! queremos sim é nos livrar de um bando de coisas, ideias e atitudes! nós, punks do livramento! não, não somos livres! estamos sim nos libertando diariamente. caminhando e pogando vamos nos livrando de tudo o que é estratégia irônica do sistema, ou melhor, da sistemática da servidão voluntária – esta que reconhece os seus: cumplicidade niilista: princípio estendido para toda a população como “cidadão de bem”. neste niilismo conformista estamos ausentes: nele não temos paixão alguma – não temos olhos, ouvidos nem pele. antes, aquilo que odiamos em nós, as armadilhas da educação para o comando/obediência, dispersas e imersas em nós ao longo da vida, arrancamos suas raízes! sempre há tempo para isso: dos 8 aos 80 anos. não há destino algum reservado para nós: vamos nos livrando. nunca é demasiado tarde para nos tornarmos punks do livramento. e melhor que ser punk na adolescência e depois se tornar alguém fascinado pelo conforto e pela domesticação, é tornar-se punk por uma decisão madura e ruminada: ser punk depois dos 30, 40, 50… morrer como gado é algo estranho, é de uma estranheza insuportável!


cerrado, sob um ipê preto, fevereiro de 2017
l[É]O:|:[A]m[A]nt[E]:|:da:|:h[E]r[E]sI[A]


 
uM fiLMe pARa toDXs & pArA niNGuÉm:
joão brandão adere ao punk – (ramiro grossero)

§01.
eis que ouço alto um grito punk que não para de ecoar, a história de um zaratustra punk: joão brandão. a ideia central do filme: o tornar-se aquilo que já se é na maturidade – a mais bela e radical decisão pelo livramento punk que um dia se pode ter. tal ideia sempre foi cantada ao longo de 40 anos de punk-rock: “o punk não está morto”. atravessando gig aos pogos, lendo e fazendo zines, tocando em uma e ouvindo outras bandas e, principalmente reagindo contra uma sistemática de opressões, é quando vem a necessidade de que tal decisão seja tomada… mudança tempestiva e profunda em seu gosto, sobretudo no que diz respeito à estética pronta para o combate e para a festa. nosso zaratustra punk está inteiro na conta da contestação – quanta empolgação é ver, ouvir e sentir na pele um renascimento na rebeldia em condição insurgente que salta sobre a miséria e a tragédia do mundo e despedaçá-las com suas unhas, dentes e spikes. despedaçar o absurdo da existência. sim, a verdade é horrível. mas ela é rica em ensinamentos, inclusive quando ilustra nosso2 modo humano de iludir-nos com todo o tipo de bobagem que são as certezas e as verdades absolutas. todo gosto pela certeza é o gosto pela servidão. joão brandão nasce sob o caráter desfavorável que é existir… por esse caminho tal zaratustra punk vem até nós, na condição de arquétipo da insurgência: mais corretamente ele salta em mosh e cai sobre nós.

§02.
para compreender esse tipo de arquétipo, temos que ter em mente o horizonte crú do saber de seu nada: insurgir é antes de tudo um emergir das profundezas do caos: “você que mora em favelas, em habitações subumanas / paga aluguel, água e luz e não tem o que comer / levanta 5 da manhã, ônibus lotado, trem apertado / trabalho o mês inteiro, dá um duro danado / você não ganha nada / porra de vida, porra de vida, porra de vida / você não vale merda nenhuma / eu não sei o que se passa comigo / eu só sei que perco o juízo / quando sinto no meu peito a revolta explodindo / entre muitos a pobreza é tão grande / entre poucos a riqueza é gigante / é tão triste descobrir que você nasceu pra perder / porra de vida, porra de vida, porra de vida / você não vale merda nenhuma / eu não sei o que se passa comigo / eu só sei que perco o juízo / quando sinto no meu peito a revolta explodindo / entre muitos a pobreza é tão grande / entre poucos a riqueza é gigante / é tão triste descobrir que você nasceu pra se fuder / porra de vida, porra de vida, porra de vida / você não vale merda nenhuma” (porra de vidainvasores de cérebros).

§03.
quem é o dono da verdade do punk? que tipo de punk quer ser polícia ideológica? quem tem a ideia precisa sobre o que chamamos de livramento? se ninguém tem a certeza, eu também não a terei, mas posso aqui mostrar os rastros dessa atitude… a realidade, mesmo que por aqueles que supõem que ela esteja inteiramente explorada, não é misteriosa, já que nela estão as chaves para sua vivência. assim, um primeiro rastro do “livramento”: abrir mão de que a realidade conta com um recurso exterior a sua experiência. ouvimos, encontramos; a tomamos de assalto, ninguém jamais dá nada para a gente; como se fosse um vulcão, uma atitude vem à superfície, por necessidade, sem hesitações – é como se jamais tivéssemos escolha. uma chacoalhada no esqueleto, cujo tesão monstro eletrifica o sistema nervoso, involuntariamente; um estar-fora-de-si-e-dentro-da-alcateia, com a consciência instintiva de um sem número de lobos e lobas de moicano, pelos coloridos e dreads, que são vistos com temor e fascinação pela sociedade normatizada. a imagem da alcateia surge e não se tem ideia do que podem fazer e onde podem chegar, mas se tem a ligeira impressão de podem tomar seus nadas, sem mais e os devorar. recordemos uma palavra de nosso zaratustra punk: “é possível, mas os alienados de cá, do meu lado, do seu lado, curtem uma alienação maior ainda. porque eles reconhecem o erro, sabem que estão fazendo merda e continuam como se nada estivesse acontecendo. o punk pode não ser novidade e parece que depois do antigo testamento não apareceu nada de novo sob o sol. mas ele dá um recado: não é à toa que o punk de verdade tem seus arraiais em são paulo, onde outro dia aconteceu aquilo que você sabe. a maioria dos rapazes nem mesmo está desempregados porque ainda não conseguiram emprego. usam o preto porque o preto significa luto. a roupa é rasgada por que não há outra. os versos são detestáveis porque a vida ficou detestável para o maior número. o som é infernal por que o inferno está aí! os punks não pretendem ser simpáticos. eles querem mesmo é gozar da antipatia geral. estão divididos, eu sei. cada grupo achando que o outro grupo está errado. mas na própria variedade de erros está a marca geral deles. o sinal de inconformismo até consigo mesmos”. esta é também a minha experiência com o livramento; sempre lançar dúvidas ao credo comum e até mesmo aos credos mais sofisticados a fim de poder trocar umas ideias, risos e até cotoveladas com alguém que possa cantar comigo o refrão: “o que quer dizer punk? / madeira podre, isca, mecha, fedelho / não quer dizer nada de unívoco! / assim também sou!”

§04.
a violenta força criativa flui pelo corpo graças à agilidade dos músculos, assim, fenômenos sociais, modismos e frivolidades, os estudos de joão brandão, o anima. logo ele será visto pogando por várias vezes, sem que se note o menor sinal de cansaço. logo rirá muito… e para que esse riso seja punk mesmo é preciso que ele se entregue e enfrente a barra que é a natureza intrinsecamente dolorosa e trágica da vida suburbana e sofrida. nosso zaratustra punk correrá o risco permanente da angústia de viver fora da sociedade do consumo, ou mesmo, o risco da angústia insuportável de viver com o menos, para daí sim, fazer deste mal, a causa de sua alegria.

§05.
desde criança, sempre me senti discriminado por conta da minha inteligência e criatividade. é também um dos motivos pelos quais eu me afastei ou fui afastado do jornalismo. quando você começa a escrever bem demais, tome cuidado. você pode ser demitido.” assim, certa vez disse jota pingo. mas essa não é a própria ideia de joão bandão? ambos não nos levam à mesma conclusão? “eu me simpatizo com o punk despojado, mal poeta e mal cantor. mas empolgado com a missão que se atribui de destruir a ordem conservadora, através da música, do grito, do gesto e do anarquismo primário!”. mal perdemos uma inocência e outra se apressa a substituí-la. eis a psicologia deste nosso tipo de zaratustra. essa espécie de exu com seu jaco crust, cuja postura irreverente e descrente, desmistifica a sistemática da obediência e da servidão voluntária criada pelos “grandes e pelos babacas”. não há salvação do abismo. pois este é apenas um excesso paranoico da razão. o punk é de uma franqueza selvagem. não há salvação porque não há abismo.

contra toda imposição do dogmatismo / nos recordemos da tirania histórica / e não nos falte a força necessária / para ser intenso como uma retórica / que ninguém mais seja um comandado / para que ninguém imponha uma vontade / para acabar com toda autoridade / a anarquia é o caminho inevitável / vamos caminhar rumo à igualdade / sem opressão do homem pelo homem / sempre que se impuserem com a força / vamos rebater a força com a força / mesmo que estejamos perseguidos e fatigados / anarquia proposta nunca imposta / mesmo que estejamos com medo e cansados / anarquia proposta nunca imposta / usaremos sempre a força contra a força / anarquia proposta nunca imposta / não importa a envergadura do governo / não nos impede de ser um combatente / toda vez que se enfraquece a autoridade / toda vez que conquistamos liberdade / toda a vitória sobre o patronato / todo o esforço contra sua exploração / toda a vitória da classe operária / toda a batalha contra a sua coação / quando o governo é aceito como inimigo / a anarquia é um passo eminente / vamos caminhar rumo à igualdade / sem opressão do homem pelo homem / sempre que se impuserem com a força / vamos rebater a força com a força / mesmo que estejamos perseguidos e fatigados / anarquia proposta nunca imposta / mesmo que estejamos com medo e cansados / anarquia proposta nunca imposta / usaremos sempre a força contra a força / anarquia proposta nunca imposta (anarquia proposta nunca impostahorda punk)

mas essa é, mais uma vez, a ideia de nosso zaratustra punk.

§06.
qual é o espírito que a linguagem desse filme haverá de se mostrar para nós e para nosso zaratustra punk? os traços da rebeldia ancestral de um broba! rastros de nossa visualidade mais primitiva e visceral. daquelas da mesma ordem dos bisões de altamira. também uma poderosa guerrilha psíquica que exorciza a desinformação praticada pelos traços da mídia de massa, recolocando, aos nossos olhos um poder de fúria e crítica. desenhos que mais parecem uma arte marcial pura. nanquim que deveriam estar por todas as paredes de brasília, como uma grande risada ecoando por todas as retas dessa cidade de concreto e cinza. preto e branco que dão o tom e a musicalidade das imagens filmadas. luz e sombra de uma fantástica consciência cuja lucidez não se aprisiona na docilidade das pessoas sem imaginação. por seus traços o filme se imagina; se reorganiza em uma horda iconoclástica de munição erótica para atentar contra a moral e os bons costumes do masoquismo do bom mocismo e da bela recatada. assim, o filme também se desenha: transforma sua narrativa e reivindica a vida; na verdade, nos redesenha, eu, tu, o filme e nosso zaratustra punk, como gestos de uma insubmissão alegre ao poder. a imagem, assim como a forma pensam, reagem, se revoltam e se insurgem!

§07.
punk tem que se fuder mesmo. punk tem que tomar no cú! né não?”: assim falou tina ramos.
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[A]f0r!sm0s de pUn[kXs]Ofi[A] d[E]sd[E] uMa mENte eNGatILhAdA

MENTE ENGATILHADA – fanzine punk (6ª edição – 2016)
:{aforismos de pun[kXs]ofia desde uma mente engatilhada – l[É]o:|:d[A]:|:h[E]r[E]sI[A] – 2017}:

a escrita de um zine punk é como o estilo de som de uma banda punk: há um rastro único, um estilo próprio. pois nele logo sentimos o toque inspirado de alguém que o escreve, que o compõe. há sempre uma pessoa, um corpo que espelha os laços humanos e lhes dá existência concreta. ler um fanzine punk é reafirmar esses nossos laços. laços sentidos na pele. pele: a mais própria entropia punk! como dito por valeria mw no edital: “a nossa única e real certeza são as cicatrizes deixadas pelo tempo e o aprendizado que acompanha cada uma delas.”

valéria mw é a escritora inspirada e ronaldo mw é o grafista inspirado de mente engatilhada. é ela quem realiza os textos e quem formula as perguntas das entrevistas. é ele quem realiza o desenho gráfico. ambos corpos. ambos frutos do movimento entre natureza e cultura. ambos finitudes mortíferas punks! “processos de permanente construção e desconstrução”; “EU me modifiquei, e o que resta de tudo isso é a capacidade de reinventar-se dentro da adversidade”: assim fala valéria mw.

fazer um zine punk, ler um zine punk, pensar sobre um zine punk: fragmentos da história do lugar e do poder de nossos corpos e presenças em relação com o que pensamos. coexistir, co-resistir e co-re-existir. desse modo não farei aqui uma resenha do que li neste zine, mas sim darei outra forma ao que me foi inspirado por ele. aqui porei ideia com as ideias lá escritas, porei com, comporei: aforismos de pun[kXs]ofia desde uma mente engatilhada.


§01.
ser e estar punk não é uma tristeza sem causa e simples, muito menos é uma alegria religiosa como constatação de verdades absolutas e fechadas. diferente de um não-ter-causa, o combate e a contestação são a causa: o comportamento vigente socialmente dentro de cada umx de nós deve ser aniquilado. a cultura punk não está liberta dos vícios e das perversões sociais: machismo, violência contra a mulher, racismo, homofobia. é preciso que ela seja construída de modo liberta. não basta simplesmente colarmos no rolê punk e nos escondermos por trás de ideias revolucionárias e insurgentes. é preciso que cada umx de nós sejamos autênticos atos de resistência.
(da pluralidade e diversidades: construções e reconstruções dentro do rolê punk)

§02
a pessoa fofoqueira na movimentação punk mascara suas próprias desordens afetivas. sua escolha pela fofoca é acompanhada pela escolha também de sua cegueira. não vê e mas quer ser vista. quer aparecer como solução ao lado de sua má-fé.
(da entrevista com accidente, banda de punk rock anarquista de madri/espanha)

§03
os rótulos são sempre cadáveres. mas, mortos-vivos. levantam-se da morte para definir-se como niilismo. pois nos afunda na impotência, nega qualquer gesto insubmisso e instaura um mundo estático, sem movimento.
(da entrevista com accidente, banda de punk rock anarquista de madri/espanha)

§04
o movimento punk faz desmoronar o sentido absoluto de se ter um discurso convincente, não se quer convencer todo mundo para ser punk. o movimento punk é um discurso expressivo, se quer todo mundo liberto para se construir uma realidade simples e realizadora.
(da entrevista com accidente, banda de punk rock anarquista de madri/espanha)

§05.
o rolê punk não pode esconder as perversões do poder patriarcal. poder este cujo modelo de mulher socialmente aceita é a mulher objeto inerte, ou a mulher a ser objeto inerte. o homem punk deve se desprivilegiar enquanto macho para desarmar a armadilha sexista. os espaços punks mistos devem destruir o falo e permitir-se uma espécie de castração redentora – não podem ser ciclos de eterno retorno da violência machista. é preciso espaços só de manas punks para se criar desarticulações fundamentais e poderosas da vida domesticada das mulheres dispostas às regras dos homens. o rolê punk só se libertará do patriarcado quando cada mulher se sentir confortável e segura nele. o rolê punk só será libertário e realizador quando cada mulher realizar todas as suas potencialidades nele. ter espaços só de manas não é jogar-contra, mas sim um jogar-com.
(do debatendo as potencialidades femininas dentro do rolê punk)

§06
grupos libertários podem oprimir a individualidade das pessoas que participam dele. devemos estar atentxs e abertxs para perceber essa possível opressão. há muito mais pessoas solitárias, mas solidárias, do que há grupos. é com elas que devemos nos juntar. daqui nascem belas e fortes ações. pois é a qualidade das relações é que importa.
(da entrevista com a distro/gravadora unleashed noise records – sp)

§07
quem disse que cada pessoa deve concentrar todas as sabedorias do universo? quem disse que cada pessoa deve ganhar a vida sozinha e só para si mesma? estamos todxs juntxs no mesmo barco. devemos nos completar mutuamente. devemos nos gerir mutuamente. apoio mutuo cultural e econômico, isto é viver a ampliação da liberdade de cada umx de nós.
(da entrevista com a distro/gravadora unleashed noise records – sp)

§08
como cortar as pernas do capitalismo? é só multiplicar uma infinidade de microeconomias libertárias! distros punks são uma delas.
(da entrevista com a distro/gravadora unleashed noise records – sp)

§09
façamos o que cantamos nas músicas e o que escrevemos e lemos nos zines! a palavra é a extensão de nossa atitude. nossa atitude é a extensão de nossa palavra!
(da entrevista com a distro/gravadora unleashed noise records – sp)

BIO|necro|CYBER|caos|DRAMA|trágico

BIO|necro|CYBER|caos|DRAMA|trágico:
encruzilhando no :(){cEm!tÉr!O:|:dE:|:ElEpUnkEs};:
l[É]O:|:pim[E]nt[E]l;:[A]m[A]nt[E]:|:d[A]:|:h[E]r[E]si[A];:2016

↫↬


nota: aqui tudo posso. sou pUNk[A]l_sUlUk! essa minha onipotência preocupa os deuses.
temem que eu me rebele contra eles. aqui todos os tempos e suas respectivas formas me aparecem como num instante. sou pUNk[A]l_sUlUk! a temporalidade teme essa minha onipresença.
que assim seja: que seus temores aqui se realizem! torno-me aqui, portanto, aquilo que sempre fui: sou [A]n[A]rcOctOpUs, um ser vivente à base de polônio!

obs: aqui hipóteses da resenha roubada...
↫↬

i.
um pária nos tempos é escolhido pelos futuros ilegais. esses futuros ilegais vão à sua encruzilhada, lhe dão uma oferenda, lhe dão fluidez e seus horizontes.

ii.
para se tornar um [A]n[A]rcOctOpUs de polônio é preciso ter a espiritualidade de tudo o que é artificial e antinatural. ser visão e vivência é prova desse poder ao mergulho abismal.

iii.
seu nome era pUNk[A]l_sUlUk. antes do mergulho, ele respondeu oito vezes que não acreditava na legalidade dos passados memoriais e que ele banalizava todos os milagres do agora através de seus próprios poderes e forças.

iv.
os deuses e a temporalidade, tomadas em fúria, ordenou que o aniquilassem.

v.
mas como seu corpo era instável, todo seu carbono tornou-se polônio e oito tentáculos lhe brotaram. em cada um deles, oito olhos surgiram.

vi.
neste instante, um futuro ilegal lhe trouxe uma visão aos seus 64 olhos: BioCyberDrama Saga. e assim, uma belíssima zona crepuscular lhe acolheu.

vii.
“bom mergulho abismal!” me desejou, seu demiurgo… meu ciberpajé! 
↫↬
à|pre|sentação:|&|:pre|fácio:|:pré|nascimento

α.
ciência... qual ciência? uma gaia ciência... decolonial? venha manduca, venha. você, também, vivente em um futuro ilegal, venha. me sopre no ouvido pistas para uma resposta possível...

β.
nosso corpo está obsoleto? porque tão tardiamente? porque muito depois da obsolescência de nossa mente? …

γ.
“yo no quiero ser humano; porque el concepto humanidad construyó el racismo”: walter mignolo

δ.
é preciso uma psiquê, uma libido, uma episteme, para além do humano... só um corpo multifuncional não basta. é preciso desfunções multicorporais.
 ε.
nada dessa coisa de corpo sem órgão. cada ser vivo que habita em mim é consciente: microconsciências vivas. minha consciência nasce a partir delas; se recompõem em meu cérebro.

ζ.
do corpo sagrado que transitou pelo corpo laboratório, torna-se agora corpo ecossistema...

η.
as vontades de cada microconsciência orgânica não quer ser abandonada... querem se expandir... querem tocar as vontades de cada microconsciência não-orgânica, artificial...

θ.
as melhores características de vírus, de bactérias, de microrganismos, de germes, de fungos, de canceres, de insetos, de artrópodes, de nanorobôs bioquímicos... nos congregam, somos seus híbridos!

ι.
nossos corpos, antes de não serem acabados, são terminais. o nada é seu destino... daqui, nasce o resto! 

↫↬

BIO|necro|CYBER|caos|DRAMA|trágico: encruzilhando no :(){cEm!tÉr!O:|:dE:|:ElEpUnkEs};:
1.
deixaram a este velho pUNk[A]l_sUlUk algo que não fosse um futuro ilegal? - ou revisse, nos vislumbres, todas as possibilidades do existir genético e memético?

2.
falem arquiteturas carnívoras que me permitem adentrar em suas entranhas: me deem bons odores do fluido espinhal que sustenta sua forma orgânica, e esqueça sua fome.

3.
amplifiquei minha ecolocalização – como um morcego-oarfish anfíbio – para geo-ouvir extropianxs, resistentes e tecnogenéticxs.
 4.
fui trago de volta à vida em um quarup; minha ciborgania é de madeira, depois petrificada.

5.
sobrevivo como ruínas antigas – mas abitada e nada desértica. assim, como ruína, reconheço tais totens orgânicos em fúria e em inveja.

6.
curioso horizonte de abertura de mundo pós-humano é o terror: o humano, demasiado humano, o intra no pós...

7.
pathos, ethos, daimons... abaçaiei-me por acaso, enquanto fungos e vírus passavam pelo processo de transbiomorfose: pela vida eterna como um tardígrado cybionte!

8.
extropianar-se-á ou tecnogeneticar-se-á: eis a questão.

9.
como decidir? resitir? re-existir? e fazer nascer? isto não seria o maior amor para com alguém?

10.
ah... o amor... seu duplo é o ódio? seu duplo é o ciúme? seu duplo é a indiferença? não... o duplo do amor é a sedução. é o que nos resta: a estratégia irônica...

11.
sexualidade-quimera em “um drink no inferno” pós-humano: fase oral, fase anal, fase genital ao mesmo tempo como uma sensualidade mundana-surre-virtual.

12.
inverso paralelo: resistir-se-á – alienigenisar-se-á: chupacabras! eis que nesse outro prédio úmido por ser orgânico descarta-se, troca-se, torna-se um salto ao humano... a um reptiliano? grey? venusiano? zeta reticulan? draco mothmen? andromendano? siriano? aghariano? alpha-draconians? altairianos?
13.
eis que ela-alien te cativa. elas-aliens, uma mãe, uma amiga, uma amante: profaníssima trindade – três caminho: útero, cibercaverna, alcova...

14.
quando mundos se abrem; dois nascituros; duas inocências: natureza e antinatureza – um trago à existência por amor, outro por terror! luz e explosão!

15.
outro futuro ilegal se abre: como um pasto ruminado, que floresceu depois da digestão biodigestora da história, onde não há esterco pós-humano, reconhecido... trans-ciumado pronto para reconstrução!
16.
jardins dos futuros ilegais que se bifurcam: nova canudos transvalorada em quilombo pós-humano que precisará re-existir ao neo-bandeirantismo futurista de um gene egoísta – ômega.

17.
ele se expõe, depois de viagem crepuscular; mover-se cinza; nem luz, nem trevas; a longa jornada vivifica e sopra onde quer. o crepúsculo está vivo. esta caminhada tem a excessiva generosidade do sonho.

18.
ah... este outro macedo... o mesmo niilismo espiritual...

19.
antes de deixar cair o crepúsculo e a aurora entre mim e este outro futuro ilegal, saiba que sou titânico em tornar indivíduos em divíduos. nenhum ser é indivisível. cada divisão pensa por si mesma. tem personalidade própria.

20.
cada ser é uma comuna. ubuntu que se expressa autonomia; imanência. uma fração a menos, uma consciência a menos; uma fração a mais, uma consciência a mais. cada fração é veículo de espíritos, de outras vozes, dxs vivxs, dxs mortxs, das personas de outras frações.

21.
o que deseja cada fração? 
 ↫↬
pos|fácio:|:pós|nascimento:|:pro|cesso

κ.
não há melhor homenagem como a antropofagia libertária: iconofagia da cibercultura brasileira e digerir outrxs pioneirxs.

λ.
história natural dos artifícios dos traços e rastros: aquilo que acontece dentro dos biocyberdramaturgos tem o mesmo peso das coisas que acontecem fora deles – ambos são o mesmo sistema simbólico.

μ.
na nova eugenia genética, / os híbridos humanimais-ciborgues são energia. / os hormônios do silício foram agregados. / volte à consciência – onde está seu “nós”? / quero que meu sexo vague mais uma vez / e goze da velocidade que enferruja. / como poderei sentir os prazeres que o ar, o fogo, a terra, a água e o silício sentem. / outra alta tecnologia é preciso, / outra ignorância, não.

ν.
e conclui com processos: “rascunharemos novamente em breve, se você não tem outros futuros ilegais, não hesite em voltar em poucos passados imemoriais, quando estes são exemplos na prática”.

ξ.
oh! biocyberdramaturgos, edgar franco e mozart couto! agradeço por teus sonhos iniciáticos, tuas palavras, traços e rastros terem guiados meus oito tentáculos e seus 64 olhos de polônio. 



ElA, siBiLAntE dE prEsEnçA fOcAdA Em criAR cUrA - iv sacerdotisa danielle barros


é muito feliz encontrar alguém na rara condição da busca pela autenticidade. feliz, por ser um encontro ao acaso, como numa festa que irrompe o cotidiano. rara condição, por ser um desencontro com a tendência geral da busca por fazer parte de uma manada inautêntica qualquer. é uma alegria de força maior esbarrar com outra autêntica. esbarrar em e para uma dança poética. é ela, sibilante de presença focada em criar cura: iv sacerdotisa danielle barros.

em um dia qualquer, em meu laboratório, empenhado na invenção de uma espiritualidade para os sem espíritos, eis que um ato mágico se fez presente diante de mim: “criar cura”. um zine inteiro criado em um único ato me é apresentado! ele me convida ao silêncio... a me olhar para dentro... silêncio... de pronto, me faz um gesto onde me abre um horizonte afetivo de que sou natureza; horizonte o qual tenho que abrir mão de meu intelectivo e me lançar ao agora sagrado; mesmo que eu nunca tenha sonhado antes, símbolos cósmicos sincronizam-se com meu subconsciente... sincronicidade... instante... realidade... logo um soco no estômago dado pelo meu inimigo interno, e logo um carinho no rosto dado pela minha aliada externa...

um som estridente invade minha oficina. no entanto, surge como canto de sereia em forma de zine. deixo de lado toda minha parafernalha punk[a]hacker e presto atenção nesse som que incomoda para que eu possa refletir. encantado, percebo que há uma história natural de um traço. tracejar de sonhos simbólicos, simbiontes. traços cujos rastros tem um incrível poder ideário que me evoca novos agires: que eu tenha amor próprio; que eu perceba o quanto sou insondável e ínfimo ao mesmo tempo; imensidão, infinitude... criação! sim... é o canto de uma celebração; da breve festa de se estar vivo; de fazer parte de um único verso, universo! de celebrar que eu também sou fêmea cósmica em crítica ao meu ser macho cômico. mas que também celebra o cruel olhar que meu abismo lança para mim. abismo lunar... que recusa desejo, pois nada lhe falta; que recusa a necessidade pois cada objeto de desejo é efêmero... abismo lunar... de face contrária à terra, vazia à espera de um abraço solar... mar cósmico... mar cujas ondas embalam este delicioso canto-traço de sereia. encantado, não passamos de poeira de estrelas, este todo feminino cósmico imune ao ego – esta ilusão de si mesmo... gaia mãe sereia universal... gaia estrela... duplo de todas as jornadas pela aurora do agora. livre para ir e ficar. livre para a profanação sexual. livre para a ereção astral. ser-si-mesmo-louca em eterno retorno da diferenciação: me sinto ela, me sinto trans. ah... simbilante... seu canto estridente é belíssimo traço!

seja no laboratório, na oficina ou na festa é preciso não ser mera aparição. é preciso ser presença. mas não qualquer estar-ai, mas um estar-ai-estando-em-si-mesmado. é preciso ser presença focada! é preciso ser o próprio zine, já que devo ser tudo; ser vida em toda a sua dor e êxtase; não ter vida de dor e de êxtase. é preciso ser solitude, o universo em mim, e não ter solidão, o universo fora de mim. na solitude encaro minhas sombras e foco no instante das luzes. instantes de jovialidade sem futuro para uma espiritualidade decrépita. minhas trevas também são iluminadas. elas também me inspiram e me fazem cria. assim, estar presença focada me encaminha para a permanência da busca e para o amor de lutar. encaminhamentos para um bastar-se a si-mesmo; auto amor. encaminhamentos para abrir mão de bajuladores e ao não pertencimento. pois sem abrir mão, não há afinação, não há errância e poderes errantes. sim, são os caminhos do criar que nos tornam capazes do grande amor e do grande abandono. não há arrependimentos! e mesmo que haja dores, estas nos são boas e duras professoras. dores que nos fazem sermos únicxs! esta estranha convergência de força e fraqueza sem futuro, mas que existe apenas no agora. sim, somos poeiras de estrelas... de olhos bem abertos para manter a mente como fonte pura... sem querer não ser aquilo que somos... somos o agora! somo o acontecimento deste instante! acontecimento sem ego, portanto sem fracasso! já que o ego é o outro que abita nossas sombras e sabota o prolongamento da alegra e o encurtar da tristeza. sim, somos o agora imperfeito alegre e triste; o agora incompleto pronto para o levante! pronto para a brevidade da vida!

iv sacerdotisa danielle barros, obrigado por esta sua inspiradora visita!


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l[É]O:|:[A]m[A]nt[E]:|:d[A]:|:h[E]r[E]sI[A], c[E]rr[A]do, xii-2016


 
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