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bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

[E]scUtÁcUlO d[E]sd[E] UmA [A]rt[E] prOf[A]n[A]tÓrI[A]


resenha criativa do álbum ORÁCULOS de edgar franco (ciberpajé)


o desenho do cruzamento de todas as nossas possíveis linhas de tempo, como a chama de centenas de molotovs antes de serem arremessados, dança em direções aleatórias. nossas relações com elas determinam nossas futurações. o acaso nos é fundamental. processos divinatórios perdem sua necessidade. outros devem ser instarados: artes profanatórias. pois, o que fazemos com a incerteza? a resposta é tão oracular quanto uma regressão à média, onde em virtude puramente do acaso, escolhemos um acontecimento corriqueiro dentre uma série extraordinária de situações aleatórias. não me interessa média nenhuma. preciso ouvir com atenção. preciso escutar o extraordinário. pois não me interessa resposta alguma. me interessa ficar com a pergunta. não como um culto à dúvida, mas sim como um cultivo da desconfiança à toda certeza. por isso crio, profanamente, aqui meu próprio escutáculo para melhor ouvir as HQ|oráculos de edgar franco, o ciberpajé.


escuta profana 01:
da estagnação, ilusões de padrões e padrões de ilusão? perceber-se é, antes de tudo, sim um ato imaginativo. perceber-se nunca é ter-se diretamente como completude, mas sim é ter-se sempre enquanto ambiguidade. nenhuma sequência aleatória tem como causa um desempenho extraordinário. primeiro lanço os dados em branco, depois desenho seus números. da estagnação jamais posso atribui o acso como responsabilidade de alguém.

escuta profana 02:
da reação, um efeito borboleta-fênix? pequeníssimos nascimentos e invenções levam a alterações gigantes no resultado de toda a terminalidade. com eles a causalidade deixa de ser fundamental e abre-se tal espaço ao acaso. este sim é o que nos fundamenta. nós, músicas improvisadas cujo futuro é difícil de prever e o passado impossível de entender.

escuta profana 03:
do desenvolvimento, uma cuidadosa combinação de probabilidades? dois eventos independentes, mas possíveis em ser combinados. quero descobrir a probabilidade de meus descendentes herdarem minha aposta e que o resultado de tal se dê ao mesmo tempo. o que faço? apostar que são mesmo independentes ou que são excludentes? multiplico as relações entre eles, ou as somo? enquanto aposto, também sorrio o sorriso eterno...

escuta profana 04:
da oposição, o ótimo social da cooperação e a luta pela sobrevivência da exploração? presas e predadores existem em estado de equilíbrio e ao mesmo tempo lutam pela sobrevivência de apenas uma dentre as duas espécies? são “inimigos naturais” enquanto indivíduos e “cooperativos naturais” enquanto espécies? o que nos parece luta desde o ponto de vista de um organismo individual é a função ordenada de um hiperorganismo?

escuta profana 05:
do fetal sapiens, seguir não se opõe ao ficar? pois seguir a diante não significa dar mais um passo, mas sim dar um salto mortal. e ficar não mais significa estar imóvel, mas sim tencionar os músculos para o salto mortal. o seguir a diante e o ficar se relativizam mutuamente, ambos tensionamento: tensão do centro de partida. ponto fixo cujo cordão umbilical se conecta a um ponto móvel, formando assim, em um salto mortal, o desenho de um círculo fetal.

escuta profana 06:
do obeso vazio, a obesidade mórbida de nossas imagens e a fome de como estar-no-mundo? o ter surge como revolução contra o ser. típica revolta pós-imaginação. ter e não mais ser é nossa mídia dominante: intermédio entre minha diversa dialética interna e as cenas monoculturais externas. cenas que, ao mesmo tempo, tornam imaginável meu ser e se voltam contra ele. revolução da vivência concreta como mero consumo. no entanto, isso não vai ficar assim tão impune: o ser quer libertar a humanidade de toda essa loucura alucinatória. a vingança tarda, mas não falha...

escuta profana 07:
do alívio, o que existe entre o sonho e o pesadelo é uma diferença de gênero ou de espécie? nenhuma das duas. mas sim, uma diferença ontológica, uma diferença de modo de existência: o alívio é, antes de tudo, a casa do pesadelo, ao morar nele, nossos sonhos existem. é uma escuta paciente e às escondidas do que será a nós mesmxs dados para sonharmos.

escuta profana 08:
do início, precisamos de uma cura para a vida ou nos deixemos infectar por ela? luta entre quem leva a vida na medida da pequenez da antropoformização e quem leva a vida na medida da grandiosidade da infinidade de formas. a vida torna-se uma questão de tomar outras formas, deformar-se e reformar-se. assim a anamorfose antiantropomórfica é uma questão vital: renascer é preciso.

escuta profana 09:
de sobre os soberanos, pão, circo e regicídio? a antiga ferocidade na conquista do pão foi substituída pela astúcia no conseguir os melhores lugares em um circo? os reis julgam que isso é um importante progresso? mas é preciso matar a fome e o tédio. é preciso ser heróis e heroínas da grande narrativa da história. nem que para isso sejamos xs inventorxs das formas das coisas que virão: democracia pelo assassinato, sim, nós podemos intervir na história. o rei está cru!

escuta profana 10:
do hipócrita, a arte de furtar e de educar? o espelho de enganos e de engodos? o teatro das verdades e das pareidolias? o mostrador de momentos raquíticos? a chave mestra das formas de governar? proteger-se do real? duplicação fantasmática? como nos proteger de um acontecimento passado ou presente?



as HQ|oráculos são uma técnica de apresentação por lentidão. é impossível deter-se nelas em um rápido vôo panorâmico. cada traço, palavra, significado e narrativa verbo-visual é um convite ao mergulho na reflexão, na memória e na imaginação – as vemos como presença lenta já que não vão desaparecendo mesmo que nos movimentemos. não li seus textos e imagens, mas sim fui evocado por ambos: e assim, torno-me aqui, portanto, [E]scUtÁcUlO d[E]sd[E] UmA [A]rt[E] prOf[A]n[A]tÓrI[A].


lÉO:|:p!m[E]nt[E]l:|:[A]m[A]nt[E]:|:dA:|:h[E]r[E]sI[A]
cerrado, verão, 2018


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