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bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

dOs cAnIbAIs [dE mIchEl dE mOntAIgnE] - cUrtA-mEtrAgEm dE lÉO pImEntEl [2012]





livre associação para uma futura filosofia dos canibais

"dos canibais" foi escrito por michel de montaigne (francês) em 1580. tal texto compõe sua obra "ensaios". "dos canibais" é a primeira relativização da europeidade realizada por um europeu ainda na era da invasão. por tal motivo o escolhi para uma cinematização insurgente. dele escolhi cinco citações que me servem como estranhos atratores para encaminhar minha ideia de "indigenia" (cujo enlace é simbolizado pela pequena bodurna que passa de mão em mão). indigenia (como um espírito da floreta) é a personagem principal de meu filme que se desenvolve pelos seguintes processos:


1. no primeiro seguimento a indigenia são "modos de estar" [cosmo (auenu mapu), terra (pindorama), território (tekomeguá --yvy mará) e mercadoria (50 anos em 5)];

2. no segundo ela são "modos de atuar" [riso (árabe-kaxinawa), dança (em cigania indigeniazar-se), luta (exército que visa desaparecer - ezln) e estar-aí (yawanawá);

3. no terceiro como "modo de contrapontuar" [crianças (passos igualmente originais) e vazio (talvez haja futuro)];

4. e no último seguimento a indigenia torna-se um "modo de ser" [se despir (é preciso desaprender a ser ocidental) e seguir (heterotopias)].

a cinematização parte da livre associação [elementos indígenas (por exemplo, rosto pintado para a guerra, mitos, citações, etc) e elementos urbanos (cenário internos e externos)] entre quatro planos (imagem, som, escrita e fala) de significados para encaminhar experimentos de expansão das ideias contidas em cada cena.

como exemplo, em um momento da cena "rir do poder -- kaxinawa" surge a imagem de dois livros, "a resistência indígena" de josefina oliva de coll e "mortos incômodos" de subcomandante marcos e paco ignacio taibo ii, legendada pelos nomes dos verdadeiros heróis da história da "américa latina", caciques e chefes indígenas que resistiram à invasão espanhola e portuguesa, ao mesmo tempo em que se ouve o mito do povo apinayés "o mundo subterrâneo". tal cena assim composta aprofunda e expande o significado de indigenizar-se permitindo o vaguear da vista e da audição pela superfície da cena cinematizada.

aqui uma filosofia dos canibais, via a ideia de indigenia e seu processo voluntário de indigenizar-se, é necessária porque é reflexão sobre as possibilidades de viver insurgentemente num mundo orientado pelo ativismo do capital, pela necessidade por artefatos e seus programas e pela ocidentalização epistemológica e sua cosmovisão monocultural.

«dos canibais» foi escrito por michel de montaigne em 1580. primeiro texto de um europeu a relativizar sua europeidade. dele, trechos foram escolhidos para pontuar os quatro momentos do filme, aos quais seguem por uma indigenia necessária à cotidianeidade pós-ocidental das américas.

encarte do filme: http://migre.me/aGsbm

fanpage no facebook: http://migre.me/aGskl


ficha técnica:

cinematização insurgente de: léo pimentel

com as vozes de: Eduardo Moraes | Mariza Bogg | Laura Souto

'em indigenia': Sandra Nascimento | Larissa Garrido | Amanda Marinho | Veralúcia Pimentel

crianças: Natália S. Dias | Victor S. Dias | Laura S. Souto | Lúcia S. Souto | Levi S. Souto | Mariana M. Rodrigues | Gabriel M. Rodrigues | Gustavo M. Rodrigues

curta-metragem utilizado no quarto seguimento do filme: "Lamento" de Kim-Ir-Sen Pires Leal (http://youtu.be/_W47xTbeB5o)


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brasília, agosto de 2012 - filme realizado a custo zero. desde as locações, como, por exemplo, a chácara de David Gonçalves, passando pelos equipamentos, como a câmera AVCHD de Larissa Garrido, às disposições em colaborar com suas vozes e atuações, os amigos, amigas e familiares. filme feito de modo experimental (sem roteiro, com algumas citações do texto «dos canibais» de montaigne, trechos do universo pluriétnico indígena, acrescidos de filmagens e montagens de todo o tipo), independente (sem verbas estatais ou de empresas privadas), autônomo (uma idéia na cabeça e a disposição de cinematizá-la), artesanal (câmera não profissional, montagem em computador com programas 'gratuitos') e, principalmente, insurgente (ato político de denunciar, impugnar, criticar, e desestruturar, tanto pela forma quanto pelo conteúdo cinematográfico).

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