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bem vindo e bem vinda. este é um labirinto herege: um desafio para medir a astúcia de quem me visita; um convite à exploração sem mapas e vista desarmada. aqui todas as direções se equivalem. as datas das postagens são irrelevantes. a novidade nada tem a ver com uma linha do tempo. sua estrutura é combinatória. pode começar de onde quiser. seja de uma imagem, de um texto, de um vídeo ou mesmo de uma música. há uma infinidade de escolhas, para iniciar a exploração, para explorar esse território e para finalizá-la. aproveite.

o [pal]mito da caverna


gesto instrumental de esmiuçar e desfazer, ou, a minha consciência diabólica - lado a: um antigo e enorme peso continua a arquear nossas costas novas: a antiquada tradição provinda do velho mundo - cujas paixões, no momento, se voltam para nós, nos invejando. aquele preconceito aristocrático de que o caminho até nós foi aberto de modo bem-aventurado - em nome de um deus, ou de seu filho que pateticamente tentou superar o trágico. pré-situação onde o valor pertencia a um avaliado mais antigo ainda, o encantamento pelo ignorado. uma valoração difícil de ser abandonada: atomizar, reduzir ao máximo à chegar em algo tão minúsculo, para, então, respeitá-lo como o fundamento de tudo. tal é a dificuldade em arriscar e insurgir. pois, para o risco e para um decisivo não!, é necessário muita coragem. enquanto isso, o peso arqueia as costas pela excessiva adoração aos esforços passados. vaidade e ambição por uma origem divina, arbitrariamente adotada e deliberadamente aumentada. 

é a consciência simbólica: o gesto instrumental de unir em um só significado, vários significados - síntese! gesto que aponta sempre para direções determinadas. quanto mais antiga a direção, mais se usa o artifício do encantamento do ignorado. um ato de guerra contra todas as tensões internas daquilo que se atomizou - tudo que se individualizou, reduziu e se declarou único até então enquanto formas irreverssíveis e, portanto, insuperáveis: "mundo", "natureza", "humanidade", "alma", "corpo", "eu", "vontade", "livre-arbítrio", "democracia", "civilização", "verdade", "conhecimento", enfim, tudo o que diz respeito à superstição preguiçosa da autoridade auto-suficiente de ânsia pelo céu. essa consciência simbólica, ou esse gesto instrumental de unir, funciona como um esconder as vísceras, sempre de modo diminuto e grosseiro.

lado b: uma nova e rápida velocidade vem enfraquecer nossas pernas antigas: a moderna e atual ansiedade provinda da nova vida - uma espécie de greve geral das paixões às avessas, ao invés de paralisar, se renuncia as expressões de viver, produzindo mais. quanto mais se produz riqueza, mais pobre são as paixões de desfrute. o hedonismo é algo disponível para a compra. pós-situação onde o valor pertence a um avaliado mais novo ainda, o encantamento pelo pré-sabido. também uma valoração difícil de ser abandonada: reduz multiplicando o mesmo à exaustão, de tal modo que o multiplicado pareça universal. mais um gesto para que dificulta arriscar e insurgir. é um decisivo sim!, pela pressa. nessa velocidade as pernas antigas necessitam de um complemento ciborgue só para correr mais, e não para auxiliar em caminhos perigosos, pouco explorados e ainda por serem inventados.

é a consciência religiosa: o gesto instrumental de restabelecer a ligação perdida de tudo o que foi atomizado. é o próprio movimento da síntese. apontada a direção é preciso chegar o mais rápido e confortável possível. o artifício do encantamento do conhecido por exposição à exaustão. um ato de corrida contra qualquer detalhe perdido com a pressa da consciência simbólica. pensa na ciência e na tecnologia como se ambas fossem o mais novo conhecimento que trará as mesmas respostas às mais velhas perguntas: qual a causa e o fim de todas as coisas. é a superstição confortável da autoridade da velocidade que torna transcendente tudo o que é interpretação do processo, temendo o inferno. esse gesto instrumental de restabelecer, funciona como uma imagem borrada das vísceras, confusa e impressionista.

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